segunda-feira, 7 de novembro de 2011

Existe uma "Tercenas" na praia da Vieira de Leiria

“TERCENAS”
É O NOME DE UMA PONTE EXISTENTE NA PRAIA DA VIEIRA NO CONCELHO DA MARINHA GRANDE

   Descobrimos há dias que existe uma ponte chamada “Tercenas”, precisamente no concelho da Marinha Grande, junto à praia da Vieira de Leiria, mandada construir pela ex-Direcção Geral dos Serviços de Hidráulica nos anos setenta do século passado.
   Logo nos despertou a curiosidade de saber imediatamente porque razão aquele nome, uma vez que a localidade do concelho de Oeiras, agora denominada Tercena, se chamou nos anos sessenta do século XIX, “Tercenas”, pois nela nasceram pessoas e entre elas um parente nosso de nome Manuel Antunes.
  A localidade passaria a chamar-se mais tarde, “Torcena” e em  1930, a mesma terra  mudaria uma vez mais de nomenclatura passando a ser conhecida por “Tercena”, ou seja, simplesmente  retirado o “o” e colocado o “e”, e isto por o dicionário indicar o significado da palavra Tercena e ele se assemelhar à actividade industrial que nela funcionava.
   Falamos com diversas entidades do concelho da Marinha Grande, mas ninguém nos forneceu em concreto a origem dessa nomenclatura dada à ponte que atravessa o Rio Lis, curiosamente, agora até se encontrar interdita, por se apresentar em más condições
    Da Câmara Municipal de Marinha Grande, foi-nos dito que a nome tinha esse nome por “existir ali um pequenino lugar com esse nome”, mas nos seus conhecimentos, nada se relacionar com a possível origem, “fábricas de material de guerra, explosivos ou outros”, nem tão pouco se tratar de uma “zona agrícola onde pudessem existir silos cerealíferos”.
   Por sua vez, contactado o “Diário de Leiria” que dá ênfase ao mau estado da referida ponte, o jornalista com quem falamos admite a hipótese de ter havido “um grande movimento agrícola, nessa época”, mas sem ter a certeza do que admitia.
   Por sua vez o presidente da Junta de Freguesia de Vieira, entidade que pertence ao lugar onde se encontra a ponte, garantiu-nos que a sua nomenclatura terá a haver com “a embarcação de madeiras” que ali se fazia em tempos mais recuados.
   “As madeiras eram carregadas naquele local nos barcos no rio Lis que desagua na praia da Vieira, entre outros sítios onde se faziam esses carregamentos e aquele se chamar, precisamente “Tercenas”.
   Insistimos na ideia de poder ter havido em tempos algum depósito de pólvoras, arsenais de guerra ou equivalente, mas o senhor presidente garantiu-nos não ter conhecimento.
   “A ponte não é muito antiga, agora o nome é que é anterior, pois será fácil de saber, só que é necessário pesquisar em arquivos antigos, ou em documentos já com alguns anos”.
   E a ponte das Tercenas em Vieira de Leiria continua interdita ao trânsito, tendo sido “substituída por terra batida”, e nós agarrados à nossa natural curiosidade, continuamos a acreditar que terá sido na realidade por via desse embarque de madeiras que a nomenclatura do local terá surgido, cujo nome é precisamente igual àquele que sabemos ter existido nesta localidade, pelo menos em 1865, ano em que nasceu Manuel Antunes um digno agricultor filho desta terra, que muito nos orgulha.
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Lembranças da Fábrica da Pólvora

A ESTRADA DOS EUCALIPTOS E A SEGURANÇA DA FÁBRICA DA PÓLVORA

     As velhas granadas à entrada da estrada particular que servia a Fábrica da Pólvora, foram construídas para identificarem o espaço particular daquela empresa estatal, por onde o trânsito rodoviário que servia à unidade fabril passava e marcava o começo de uma segurança naquela área onde circulavam viaturas e pessoas, mas francamente nunca funcionou com eficácia.
    Os grandes portões de ferro ali existentes agarrados ás granadas construídas em alvenaria, só se abriam para passar as viaturas da empresa, nomeadamente camionetas, pois quase todo o restante tráfico mais ligeiro, passava pela velha estrada das Fontaínhas, contudo viaturas de maior tonelagem não podiam passar naquela apertada curva nas Fontaínhas, local conhecido pela casa da D. Mariana, ou da “Tasca da Bicha Rodilha”, ali existente.
     A curva era muito apertada, pois mesmo os autocarros que faziam a carreira Queluz de Baixo/Caxias tinham alguma dificuldade por isso a empresa escolhera viaturas pequenas, de vinte e dois lugares, que para além de passarem facilmente aquela curva, chegavam bem para o tráfego transportado naquela época.
   Mais tarde, quando as localidades da freguesia se desenvolveram, obviamente que o tráfico aumentou, principalmente nos meses de verão, devido à frequência da população da praia de Caxias.
     A empresa Eduardo Jorge da Venda-Nova, Amadora solicitou à administração da Fábrica da Pólvora uma autorização especial para que os seus autocarros pudessem passar pela estrada particular da Fábrica, que começava no edifício da Secretaria e estendia-se até às velhas granadas, já dentro da localidade de Tercena.
  Contudo os motoristas tinham de abrir e fechar os portões sempre que por ali passavam o que causava algum incómodo, porque natural e teimosamente a proprietária da vivenda existente na curva das Fontaínhas, D. Mariana não autorizava que a sua habitação fosse destruída para que a estrada naquele local fosse alargada.
   As viaturas passaram então a passar por dentro da Fábrica, durante o dia nos seus horários normais e só muito mais tarde, já nos anos sessenta, depois daquela senhora ter falecido, é que a casa foi demolida e a estrada alargada, mas mesmo assim ainda hoje se verifica essa curva acentuada na respectiva estrada das Fontaínhas.
   A estrada dos eucaliptos, como vulgarmente os empregados lhe chamavam, era um local aprazível e isto porque o movimento por ela era muito reduzido, pois para além das camionetas da Fábrica e as carreiras da Empresa Eduardo Jorge que ali passavam, só os moradores no bairro fabril, ou quem viesse a pé de Barcarena para Tercena a utilizavam, por isso o piso mantinha-se sempre bom, já que, quem mais se servia dela eram os funcionários no seu dia a dia a caminho e regresso do trabalho, mas esses não causavam o mínimo desgaste àquela artéria.
    Era bastante arborizada, com palmeiras, eucaliptos e outras árvores, por isso toda ela era envolvida numa permanente sombra o que permitia uma caminhada mais agradável, aos funcionários que a utilizavam diariamente por duas vezes ida e volta.
   A estrada fora construída no princípio do século passado, para dar serventia ao pessoal militar que guardava aquele estabelecimento fabril do Estado e então, na sua extensão, cerca de quinhentos metros, existiam três guaritas construídas em alvenaria.
   Uma logo no seu início, junto ao edifício administrativo onde trabalhavam os empregados de escritório e se concentravam, a direcção e administração da Fábrica, uma segunda mesmo junto à entrada do novo e actual edifício da Universidade Atlântica e uma última ao fim da grande recta, onde curvava para a direita, a escassos metros do termo da estrada.
    Nessas guaritas ficavam dia e noite soldados do quartel de Queluz, que tinham a sua base, na Fábrica da Pólvora, mesmo junto à ponte de ferro que dava acesso à margem sul da ribeira de Barcarena.
    Os soldados estavam ali dia e noite, e dali saíam para fazerem as suas rondas, substituindo os seus camaradas, mas depois da II Guerra Mundial, esse serviço de guarda, deixou de se efectuar, ficando apenas o serviço de guarda, próprio da Fábrica, mas as guaritas continuaram no seu lugar, mas sem qualquer uso, até que, uns anos mais tarde, devido a muitos fazerem delas  retretes,  foram demolidas.
    Esse serviço de vigilância efectuado pelos militares terminou logo após a Fábrica ser vendida a uma empresa privada belga, a Companhia de Pólvoras e Munições de Barcarena, criando um serviço de guarda especial, mas particular.
    A Fábrica teve este importante serviço de guarda durante muitos anos, devido às Guerras Mundiais que estalaram na Europa e os receios de ataques, mas francamente sem qualquer eficácia, porque, se era guardada aquela entrada com tanto rigor e aparato, o ribeiro que passava por dentro da Fábrica, estava completamente descurado, assim como a zona sul da fábrica que dava acesso à carbonização.
  Nesta zona da fábrica existiam muros baixos que de nada serviam, pois quem pretendesse entrar dentro daquele amplo espaço, era muito fácil e depois, a densa arborização no seu interior ainda mais facilidades permitia a quem quisesse ali entrar pois ninguém dava por isso por não haver postos de vigia.
   A vigilância dentro da fábrica foi sempre muito desguarnecida, pois, se no tempo em que os militares cuidavam da vigia daquele espaço ela já era muito deficiente, na época em que foram admitidos guardas particulares para fazerem a sua vigia nocturna, ainda era bem pior.
     Os guardas sem qualquer formação militar, limitavam-se a estar apenas ao portão, e só de duas em duas horas davam uma volta por aquele amplo espaço, mas de nada valia.
      Primeiro, porque nada conseguiam detectar se acaso alguém entrasse dentro da fábrica e depois, as armas obsoletas que usavam a sua acção era nula não lhes permitindo actuar e a grande verdade é que foram várias as vezes que os guardas foram questionados sobre o que fariam se acaso encontrassem alguém estranho dentro da Fábrica e a resposta, não passou de uma gargalhada, acompanhada da seguinte frase.
     “Temos uma espingarda «Mauser», mais velha que a fábrica, nas mãos mas as balas, ficam sempre na casa da guarda e raramente vêm connosco”.
     Havia uma grande confiança nas pessoas e a verdade, reconheça-se, é que foram muito poucas as vezes que foram detectadas pessoas estranhas durante a noite, dentro da Fábrica.
    As que foram encontradas, eram quase sempre pessoas conhecidas que procuravam, caça por ela ali se refugiar, por norma, pombos que dormiam em buracos nas paredes do Pátio do Sol, ou então para roubarem pedaços de metal que por ali ficavam caídos depois das terríveis explosões, de resto alguns guardas  até  garantiam, em jeito de chacota:
    “Estive aqui a trabalhar trinta anos e nunca dei um tiro”.
    “Entrei para a guarda logo no início da Companhia e nunca utilizei a espingarda. Naturalmente se alguma vez necessitasse de o fazer, as armas e as balas estavam ferrugentas”, e estas frases sempre acompanhadas de grandes e estridentes gargalhadas, por isso constatamos que afinal, o serviço de guarda e segurança daquele estabelecimento fabril, nunca foi visto com bons olhos, pese embora o pessoal que ali trabalhou nesse serviço, ao portão e durante o dia, se mostrasse sempre atento e cumpridor dos seus deveres, mas na realidade nunca se passaram casos alarmantes nem que viessem a prejudicar o bom serviço daquela unidade fabril que foi do Estado até 1951, passando a Companhia desde essa data até ao seu encerramento.
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quarta-feira, 2 de novembro de 2011

Barcarena e Tercena estiveram sempre de costas voltadas

A EXTENSÃO DE BOMBEIROS EM TERCENA FOI UMA DAS PRINCIPAIS RAZÕES

    Estávamos no ano de 1928 e a comissão instaladora da nova colectividade de Tercena, pretendia uma sede, só que não a encontrava, pese embora tivessem corrido todo o lugar em busca de um local, mas melhor não encontraram que o pátio do Guizo, onde faziam algumas festas, para angariação de fundos
  Mas mesmo ali, o espaço era reduzido e só servia no período de Verão, porque de inverno tinham de abortar as iniciativas recreativas e culturais que pretendiam efectuar.
   A ideia surgiu de alguém que se lembrou que a capela de Santo António estava parada há já alguns anos e servia muito bem para sede do Grupo Recreativo de Torcena, contudo era uma igreja e não parecia muito provável que fosse autorizado para servir de colectividade e a ideia ficou adormecida, mas na falta de novas sugestões e o grupo já esta formado, a ideia cresceu, tomou corpo, acabando por obter autorização do Governo Civil de Lisboa mediante o pagamento de uma renda mensal de cinquenta escudos, depois de uma comissão ter falado com o Patriarcado de Lisboa.
   Quando Tercena soube da autorização para instalarem ali a sede da colectividade quase ninguém acreditou, mas a grande verdade é que a partir daquele dia o grupo começou a trabalhar dentro daquelas paredes que tinham ficado profanadas desde que em 1917 alguém tentou roubar os azulejos da capela e a deixou mutilada.
 O grupo fundou-se e a promessa feita ao Patriarcado era considerada quase que utópica, manter-se ali em funcionamento durante dez anos e depois sairiam, pois ano menos ano a capela voltaria a funcionar.
   A verdade é que as promessas daqueles jovens pareciam ser soberanas e não deixaram adormecer o aparecimento da nova sede, uma vez que logo naquele ano, aparecia a doação de um terreno, para a construção da sede, mesmo ao lado da capela pois o local não podia ser melhor, com a estrada a passar ali a dois metros.
  Arranjou-se uma comissão de obras e com alguns materiais dados, outros adquiridos a prestações e com a ajuda preciosa não só do povo, como do Administrador do Banco Espírito Santo, Álvaro Vilela, os dinheiros foram aparecendo para que a obra avançasse no sentido de ao cabo de dez anos estar pronta conforme promessa feita ao Patriarcado.
    Foi difícil, mas conseguiu-se, pois no dia 1 de Agosto de 1938, a nova sede estava concluída, mas havia uma das alas, precisamente a direita que estava ainda por terminar, e isto porque o comendador Álvaro Vilela tinha algo em mente que pretendia colocar naquele espaço.
   De um lado servia para se fazerem as festas, o teatro, os bailes e toda a componente lúdica e cultural e no outro, o grande banqueiro pretendia criar uma extensão dos Bombeiros para que Tercena fosse mais um reforço nos períodos maus em que os bombeiros de Barcarena, se viam aflitos com falta de voluntários, e com aquela nova estrutura, poderia muito bem ser uma importante mais valia naquela área social e humanitária.
    A ideia de Álvaro Vilela era sustentada por uma velho e obsoleto material que possuía na sua Quinta da Estação de Caminho de Ferro de Barcarena, que tinha servido de treino aos funcionários do Banco que pretendiam dar uma ajuda aos jovens e crianças que tinham sido instalados no Orfanato Santa Isabel em Albarraque, acabado de ser inaugurado.
  O material era velho mas ainda tinha grande utilidade e como fora adquirido material novo para Albarraque aquele poderia muito bem servir para aquele fim em Tercena.
  A ideia foi bem aceite pelos tercenenses, mas quando em Barcarena se soube desta decisão de Álvaro Vilela, o povo pensou de imediato que aquele banqueiro estava tentando destruir os Bombeiros de Barcarena, que já possuíam sessenta anos de existência, ideia que fora mesmo tomada como uma grande ofensa e destruidora.
  O benemérito homem ao saber de toda esta oposição, crítica e mal estar entre os dois povos da freguesia, colocou-se logo no meio da questão e como tinha sido ele o homem da ideia, logo a desfez, propondo então que, uma vez não se criar a Extensão de Bombeiros seria para uma escola primária, pois também não existia em Tercena essa estrutura, pois a que funcionava em condições precárias estava montada numa casa particular e não reunia as mínimas condições.
  E assim aconteceu, o Grupo Recreativo de Tercena acabou a obra com algumas ajudas da sua Câmara Municipal, reconheça-se que muito poucas, pois só pagaria a luz, a água e o resto seria por conta da colectividade, mas a utilidade de tal estrutura era tão grande que o sacrifício foi até esse ponto e a grande verdade é que a escola, cerca de sete anos depois aparecia substituindo a que existia.
    Mas se tudo isto se resolveu a contento das duas colectividades, a grande verdade é que a celeuma produzida pelo aparecimento da ideia de Tercena vir a ter uma extensão dos Bombeiros de Barcarena, jamais terminou e perdurou durante muitos anos o que ainda hoje se mantém embora de forma muito mais reduzida, mas a rivalidade continuou, muito especialmente acrescida com a realização de teatros, bailes especiais e iniciativas de índole cultural, que Barcarena e Tercena teimavam em criar em grande número e qualidade, ao despique, só que quer uma, quer outra colectividade diziam sempre serem as melhores e isso causar graves problemas entre as famílias das duas localidades.
  A verdade é que a escola surgiu, deu aulas durante alguns anos até a Câmara Municipal criar uma escola nova e os dois povos azedavam-se de quando em quando, mas felizmente hoje, decorridos mais de setenta anos, as pessoas entendem-se de forma harmoniosa, mas mesmo assim, ainda aparecem por vezes algumas quezílias a propósito dos bombeiros, mas na verdade quer uma quer outra, são duas grandes estruturas, cada uma na sua actividade que têm prestado os melhores serviços às duas comunidades, pois os mais novos já passam por cima destas velhas questões enquanto hoje os mais idosos, aqueles que ainda se recordam dessas desavenças, vão infelizmente desaparecendo e a paz promete chegar e na sua totalidade, pois raramente surgem complicações entre as pessoas de ambas as localidades desse tempo que ainda felizmente são vivas.
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quarta-feira, 19 de outubro de 2011

É preciso preservar o ambiente

Junto a Cabanas na Tagus Parque as perdizes aparecem mortas

É PRECISO DEFENDER O AMBIENTE PRESERVANDO AS ESPÉCIES CINEGÉTICAS
     Aconteceu recentemente na Tagus Parque um incidente onde morreram quatro perdizes, criadas nas terras de Cabanas onde antigamente havia um enorme viveiro natural, não só destas aves, como de muitas outras que ali se davam devido às sementeiras que se faziam naquela área todos os anos.
    Desde o Casal da Serra, mais conhecido por “S. Miguel da Serra” à de Cabanas, havia uma grande criação de perdizes que, quando se viam aflitas em períodos de caça, baixavam em voo picado, direitinhas à Fabrica da Pólvora, seu bloco defensivo, bem sabedoras que ali ninguém as podia caçar.
 Algumas  dessas aves, jamais saíram daquela área, vindo até aos terrenos ainda por construir, que envolvem o Casal do Álvaro da Pinta, perto da Galp e logicamente alimentando-se nos campos de golfe que ali se encontram há anos sem funcionamento.
   Essas aves andampor ali nos seus passeios alimentares por agora se sentirem seguras, mas por vezes são enganadas nos seus voos de rotina, pois tentando ir mais além, passam a estrada que liga o Cacém a Oeiras e vendo o reflexo de todos aqueles terrenos, nas amplas vidraças de alguns dos modernos e amplos edifícios da Tagus Parque, acabam, tal qual estas quatro infelizes perdizes, por bater nelas e caírem mortas.
    Foi com surpresa que, quem estava dentro do edifício escutou com ruído o bater, quase simultâneo, das quatro aves, que imediatamente tombaram no chão sem vida.
  Foi quando, assustados viram que afinal tinha sido o embate das aves que provocara aquele estrondo e causando simultaneamente a sua morte.
   Como resolver este caso natural, pois as aves confundem-se e por vezes aparecem mortas junto aos edifícios, como nos foi confirmado por quem assistiu a este insólito incidente, que, obviamente acabou por dar um bom petisco, contudo, tirando essa benesse, seria de toda a conveniência para preservar estas aves, providenciar no sentido de, no futuro estas perdizes que por ali ainda abundam, que tão importantes foram no passado e tantos momentos de distracção causaram aos caçadores locais, encontrem agora a maior tranquilidade, criando alguma ideia que possa evitar estas mortes, porque ali já não se pode caçar, no entanto ninguém tem o direito, devido ao progresso e à modernidade, travar a vida destas aves que sempre conheceram as terras de Cabanas como o seu viveiro preferido, ou seja, a sua terra natal, afinal a sua grande pátria e possam fazer os seus normais e rotineiros voos na maior segurança.
                               

quinta-feira, 6 de outubro de 2011

O que os folcloristas de Tercena já viram a conselho de Fernando Silva

AS VANTAGENS E A CULTURA QUE SE ADQUIREM QUANDO SE PERTENCE A UM GRUPO FOLCLÓRICO


    A Associação Cultural de Tercena ao longo destes vinte anos teve uma intensa actividade cultural, pois não foram só as componentes, Teatro e Folclore que marcaram os folcloristas e a colectividade, pois muitas outras estiveram em grande plano, como as diversas exposições que foram realizadas, algumas até de grande categoria, que marcaram as pessoas pela sua grande qualidade e expressão, como as palestras na sede e visitas a museus e locais de grande referência em feitos patrióticos.
   Lembramos a exposição que foi realizada em 2009, sobre etnografia e folclore, onde a sala ficou cheia de fotos antigas, objectos e atavios ligados ao folclore e à etnografia.
   A exposição sobre presépios que reuniu um enorme número de exemplares feitos com bastante gosto e que chamou à colectividade imensas pessoas ao longo da época natalícia e tantas outras também levadas a cabo em parceria com o Museu Etnográfico de Tercena e o Jornal “A Voz de Torcena”.
   Ainda dentro desta parceria, foram reconhecidas como preciosas as exposições sobre a Festa do Espírito Santo nos Açores, sobre a ilha de S. Jorge e as suas Fajãs, Ilhas Malvinas entre muitas outras.
    Também as palestras que foram levadas a cabo, não têm conta, algumas proferidas até por pessoas ilustres, dedicadas e competentes que se formaram em determinadas áreas, como o Dr. Jorge Miranda que tem uma extensa formação e conhecimento sobre os valores do concelho de Oeiras em quase todas as áreas.
    A Dra. Alexandra Antunes que se mostrou sempre pronta para falar na colectividade sobre qualquer assunto, muito especialmente na área do património edificado, tendo feito uma excelente palestra e explanação do velho casario da Rua Aurora no Bairro da Estação de Barcarena entre outros temas.
    O Dr. Joaquim Bouça sobre os seus conhecimentos e práticas sobre a foz do Tejo e o farol do Bugio, tal qual a sua esposa que por diversas vezes vieram à Associação falar desses assuntos, factos que bem conhecem, por o avô do historiador ter sido faroleiro no Bugio durante muitos anos.
    O professor Doutor José Meco, especializado em azulejaria que por duas vezes trouxe esse tema à colectividade e numa delas explanando o património e riqueza existentes da igreja de Santo António em Tercena, assim como o próprio Fernando Silva tem focado ao longo de todo este tempo, diversos temas, como o folclore, a etnografia e a Fábrica da Pólvora onde se especializou como ninguém.
   Também o Dr. Luciano Reis do Museu Leal da Câmara, falou por algumas vezes sobre o tema, “A vida dos saloios da região”, e outros não menos interessantes, tendo inclusivamente levado o grupo a visitar aquele museu onde é director e explanado com grande eloquência e rigor os milhares de desenhos, caricaturas, pinturas e objectos que se encontram na casa onde viveu o artista na Rinchoa em Rio de Mouro.
  Não têm conta as pessoas que por a Associação passaram trazendo novos temas, como os portugueses na China, que um familiar de Lenine Abreu por diversa vezes falou na colectividade.
   Também foram muitas as visitas que o rancho efectuou a museus e locais tidos como excelentes que acabaram por proporcionar um melhor conhecimento sobre o folclore e a etnografia aos folcloristas de Tercena e suas tão diversificadas culturas.
   Lembramos a visita ao Museu de Mértola, onde existe um grande espaço dedicado às artes e ofícios alentejanos, suas ferramentas, costumes e tradições.
   A visita ao Museu do Pão em Seia que também trouxe amplos conhecimentos sobre aquela arte panificadora e que, sobretudo os mais novos ficaram a saber como se fabricava o pão que diariamente comem, muitos desconhecendo até, como ele se fazia e as suas proveniências.
   A visita ao Museu de Felgueiras, impressionante, mas lamentavelmente muito mal estimado.
    Uma pena todo aquele acervo antigo exposto, a maioria, ao ar livre, degradando-se com a maior das facilidades que levou Fernando Silva a escrever à Câmara Municipal daquela cidade para não deixar morrer aquela preciosidade existente no seu município.
    Visita ao Museu Municipal de Loures, na Quinta do Conventinho, onde se mostra algum acervo de objectos e costumes ancestrais, como a arqueologia, o traje, o mobiliário a cerâmica, os transportes e as alfaias agrícolas que tanto caracterizaram o povo saloio e muitas outras tradições do passado, onde o seu povo viveu e a forma como se desenrolou essa vivência, ou não fosse aquela vila, um local bem referenciado no panorama saloio.
   O Museu instalado na antiga Fábrica de Louça de Sacavém, onde se mostra, não só parte do que foi a fábrica antiga, os seus antigos fornos de cozer, assim como o que nele se fabricava.
  Muitos outros museus foram visitados, nas muitas deslocações e digressões que o grupo efectuou, tendo também especial referência o Museu que foi visitado em Ílhavo, aquando o rancho ali se deslocou que foca em pormenor a vida dos pescadores da sempre difícil faina do bacalhau, localidade que em tempos desenvolveu uma intensa actividade sobre essas pescas que ficaram famosas no nosso país, a caminho da Terra Nova.
     Inesquecível também, foi a visita ao pequeno, mas bem esclarecedor Museu dos Rios em Constância.
    Ali se concentra toda a vida de um povo dedicado aos seus dois rios, Zêzere e Tejo que se cruzam na vila poema, onde Camões dedicou largo tempo, já no seu tempo, encantado com as suas belezas que lhe deram enorme inspiração poética e também com a faina dos seus habitantes em redor dos faustos e profícuos rios, cruzados de dia e noite pelas lindas fragatas, varinos e tantas outros embarcações que ali estão muito bem representadas, assim como todo os atavios que os pescadores utilizavam na rude faina da pesca.
    Os museus visitados nas deslocações aos Açores não têm conta pois em quase todas as ilhas existem espaços dedicados à vida de seu povo e ilha, destacando-se o Museu da Graciosa, onde o Dr. Jorge Cunha, seu director, explanou com grande conhecimento o que tem exposto no seu espaço, não esquecendo as lanchas que corriam os mares açorianos na caça à baleia, os seus aprestos, os moinhos de vento e afinal tudo quanto envolveu a vida dos habitantes daquela ilha, como as adegas, a feitura do vinho e todos os obsoletos utensílios utilizados em tempos mais recuados.
    Na ilha do Faial, foi importante e bem esclarecedora a visita ao Museu da Baleia, onde em anos atrás se recebiam os crustáceos e os transformavam em óleos e farinhas, museu criado dentro da própria fábrica que deixou de laborar, devido à extinção daquela arte que era fértil, famosa e o principal ganha pão de todas as famílias das ilhas do arquipélago.
    O Museu dos Baleeiros na ilha do Pico, que mostra em pormenor, não só os utensílios utilizados pelas armações, como toda a vivência dos pescadores, seus sacrifícios e afinal as suas conquistas que tanta vez lhes roubara a vida.
    No Faial não podemos esquecer ainda as memórias do devastador vulcão dos Capelinhos, onde numa localidade bem perto dele, se mostra os destroços dessa grande desgraça, assim como, mesmo no centro da cidade da Horta se pode apreciar o museu da cidade, grandioso e bem explicito das artes e ofícios daquele povo, assim como mesmo à beira do cais, o bem conhecido “Peter”, que no seu famoso café expõe um extenso espólio dos trabalhos artesanais dos pescadores que viviam na ilha e ganhavam o seu pão nas lides do mar.
    O “Peter” que era visitado por marinheiros de todo o mundo, que, passando pela cidade da Horta deixavam as suas cartas para que as mesmas dali seguissem para os seus destinos, casa que ainda hoje é considerada uma das mais famosas do arquipélago, pois não há ninguém que se desloca à ilha que a não visite porque a curiosidade das histórias contadas em todo o mundo, sobre aquele local era de facto muito grande.
     A importância desse tão simples facto era tão lato no conceito social, pelo menos no conhecimento de novidades por parte das famílias dos pescadores e marinheiros que andavam meses no mar, que hoje, passados tantos anos, todos ainda querem conhecer esse local e lá está no primeiro andar todo o espólio conseguido pela família, sendo de destacar os magníficos trabalhos executados nos ossos das baleias.
    Na ilha Terceira os museus e espaços museológicos são imensos, pois um dos mais significativos, é o Museu do Vinho na vila de Biscoitos, que mesmo na própria adega onde se produz esse precioso néctar, no primeiro andar existe um núcleo museológico que os seus responsáveis fazem questão de o mostrar a quem por li passa e os turistas são muitos, pois os Biscoitos, para além de uma excelente zona balnear, devido ás suas piscinas naturais, mostra todo esse acervo vinícola, e no Museu lá se encontram os seus adereços e todos os apetrechos ligados à indústria do vinho.   
    A mini, mas esclarecedora sala museu de S. Mateus na ilha Terceira, onde se concentram ainda duas das lanchas motoras, chamadas “gasolinas” da caça à baleia, também é muito procurada pelos turistas que ali aparecem.
     O Palácio dos Capitães Generais em Angra do Heroísmo, com todo o requintado espólio da época onde ainda hoje serve para pernoitar as figuras ilustres que visitam aquela ilha, mostra um mobiliário riquíssimo e bem tratado, incluindo alguns objectos que nos fazem lembrar histórias famosas ocorridas na ilha e que a tornaram famosa, como a expulsão dos espanhóis, durante a estada os reis filipinos no século XVII, na sangrenta batalha da Salga.
       Brianda Pereira, uma corajosa mulher que soltou o seu gado bravo dizimando o exército de nossos “irmanos” que ainda hoje exibe o simples, mas significativo monumento em pedra negra em S. Sebastião, mesmo junto ao mar, matando centenas de espanhóis que pretendiam tomar a ilha por assalto.
  Mais tarde a Terceira assistiu e recolheu os revoltosos das guerrilhas provocadas pelo movimento “miguelista” e que deu uma vez mais a honra de Angra do Heroísmo voltar a ser capital da nação, factos que se podem analisar no edifício da Câmara Municipal na Praça Velha e que valorizam muito a ilha e o seu povo, que a dado momento passou a estar de costas voltadas com S. Miguel.
   A visita guiada a pé pela cidade, mostra o rico património edificado de Angra do Heroísmo, com a subida ao Monte Brasil onde ainda se encontram as peças de artilharia que defenderam sempre a ilha por diversas vezes, durante alguns ataques àquela importante cidade que por duas vezes, teimosamente não se deixou vencer pelos inimigos, vendendo assim, cara a sua rendição.
    A visita ao Museu de Angra do Heroísmo, trata-se de uma mostra indesmentível da situação e história geográfica, biofísica e humana das ilhas, onde muitas coisas do passado nos desnuda, entre elas uma grande colecção de coches e liteiras, transportes do passado utilizados pelos açorianos e alguns  do continente, destacando-se o “Charanã” do século XIX, o “Cupé”, o “Vitória” e o “Milorde” assim como uma grande exposição sobre várias armas entre elas, metralhadoras utilizadas na I e II Guerras Mundiais, num magnífico trabalho artístico, não esquecendo as famosas Festas do Espírito Santo e as “Sanjoaninas” que são famosas em todo o mundo e levam à ilha milhares de forasteiros e turistas de todo o mundo.
    O Convento de Santa Clara dedicado à clausura da santa com o mesmo nome, também foi uma das visitas que o Rancho de Tercena não perdeu, pois apreciou todo o valor ancestral e espírito religioso ali concentrado.
 Mais para sul da ilha vamos encontrar o museu de Altares, igualmente bem explícito das actividades ancestrais que ali se praticaram, tal qual o de S. Bartolomeu que recebem muitos curiosos que por ali aprecem.
    Ainda na Ilha Terceira, todos ficaram pasmados com a importância dada ao gado bravo, onde todos os dias se efectuam touradas à corda e o atractivo que elas constituem para o turismo.
    A descida empolgante e sempre respeitada com muita emoção, ao Algar Carvão, ao fundo de um adormecido vulcão, para visitar as suas maravilhas naturais, como são as estalactites e estalagmites ali existentes.
    Em S. Miguel, o rancho de Tercena visitou a Casa da Cultura em Ribeira Grande, adaptada à antiga casa do capitão Moura Arruda, construída no século XVII, que a partir dos anos setenta do século passado foi adquirida pelo Governo Regional dos Açores e transformada num importante núcleo museológico.
   Mostra sobretudo os velhos ofícios da ilha, algumas reminiscências arqueológicas, assim como exibe com vaidade o grande presépio que começou a ser construído em 1913 por iniciativa do prior Evaristo Carreira Gouveia, tendo igualmente em exibição a evolução da azulejaria que se inicia no século XVI.
    Não puderam ser esquecidos os viveiros de ananás, a beleza das bem tratadas flores na vila do Nordeste e tantas outras maravilhas ou não fosse a ilha uma das mais bonitas do arquipélago.
    Em Santa Maria, mais propriamente na freguesia de Santo Espírito vamos encontrara Cooperativa dirigida por mulheres e que acaba por dar sustento a todas elas, onde se fazem os seus trabalhos comunitários, desde o fabrico do pão, ás rendas, aos fatos tradicionais dos grupos de folclore, e outros lavores artesanais que são postos a venda.
    Fabrica-se, para além do pão vulgar, a “massa sovada” fornecendo todos os Impérios da ilha e pessoas que o desejem adquirir e o espaço ocupado pela Cooperativa é quase um museu aberto a toda gente, onde não faltam os velhos teares com que trabalham as lãs e as transformam em camisolas e outras peças de roupa que por norma são colocadas à venda na capital da ilha, em vila do Porto.
    Ilha que viveu sob o signo da cerâmica em tempos mais remotos, devido às jazidas de almagre, com que se fabricavam os vários objectos, actividade que hoje praticamente se perdeu, mas restando o nome da freguesia, Almagreira, criada em 1906.
     Em S. Jorge, o museu que o pároco das Velas possui num espaço dentro da sua igreja Matriz.
    Uma colecção digna do maior apreço e um investimento que o dedicado padre Manuel da Silveira fez com a ajuda do povo para reunir ali um enorme e valioso espólio religioso.
    Também bastante importante foi a visita à Fábrica de Queijos da Cooperativa da Beira, onde a qualidade impera, sendo de realçar as explicações dadas sobre como analisar a autêntico e rigoroso fabrico daquele queijo que é reconhecido em todo o mundo.
    Todas estas visitas foram importantes para proporcionar mais conhecimento a todos quantos visitaram estas maravilhas espalhadas pelos mais diversos locais do nosso país onde o rancho de Tercena já esteve, pois embora muitos não apreciem devidamente, nem as classifique devidamente, foram momentos únicos que lhes ofertaram um pouco de mais conhecimento, sobre as artes, o património, as vivências e afinal como são diferentes as culturas do nosso povo, pese embora todas elas se congreguem numa pequena nação chamada Portugal.

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segunda-feira, 15 de agosto de 2011

Recordando o Passado

O CASCO ANTIGO DE TORCENA

    Seguindo a rota de visita do Museu Etnográfico, vamos encontrar o casco antigo de Torcena, casas térreas com mais de cem anos de existência, onde viveram várias famílias ao longo dos anos, que muito dignificaram esta localidade.
  Mesmo junto às granadas colocadas ali posteriormente, calcula-se que por volta dos anos quarenta, aquando das comemorações do quarto centenário da existência da Fábrica da Pólvora, quando foram feitos alguns embelezamentos, nomeadamente a colocação dos painéis de azulejos à entrada do portão sul daquela unidade fabril, trabalho executado pelo pintor Jorge Colaço, vamos encontrar uma série de casas que hoje representam a antiguidade desta terra que já tem registos desde o século XIII, aquando tudo pertencia a comunidade dos “Homens de Torgena”, clã dedicada à agricultura.
  Algumas dessas casas têm recebido beneficiações desde sempre, muitas até já foram trocadas por edifícios modernos, como aconteceu com a casa da mãe da Elvira Loura, e o armazém do Vítor Marques que foram transformados num café e num Pub.
  Todavia ainda vamos encontrar a moradia do Vítor Marques, também antigo funcionário da Fábrica da Pólvora, casado com a ti Palmira e pais da Ivone Pires e do Desidério Marques.
 Mais ao lado, geminada, encontra-se a casa onde viveu a família do Ilídio Figueiredo, casado com a Luísa do Décio, que também era guarda na Fábrica da Pólvora.
     Na rectaguarda está a casa onde viveu a família do Alfredo Pires e outras famílias, até chegarmos ao edifício onde se encontra hoje o restaurante Parreirinha, que antes era uma taberna e carvoaria, um lote de casas que mostram bem a antiguidade deste lugar.
 Mesmo junto ás granadas que dão início à estrada militar dos eucaliptos, de acesso à Fábrica da Pólvora, vamos encontrar casas também muito antigas que de momento se encontram em total ruína, como aquela onde viveu o Manuel Martins, motorista profissional de táxi e a sua esposa Carmina, e ao lado, geminada, viveram outras famílias, uma delas era a do António Sapateiro, mas antes, logo no início do século XX, ainda nos recordamos de ter lá vivido, nesse recanto, com divisões minúsculas a família da Pipa que era lavadeira e seu marido funcionário da Junta de Freguesia, cujo trabalho era acender todos os dias os candeeiros urbanos que funcionavam a petróleo nas ruas da freguesia.
   Num espaço muito mais alargado, pois possuía quintal, vivia o velho General, que apenas era militar pela alcunha que possuía, pois conhecemo-lo sempre como pedreiro, casado com a Rosa Zeferino, pais da Natália que viria mais tarde a casar com o João Boletas natural da Agualva mas jamais deixando esta terra.
    Esse espaço fora sempre muito bem preservado e ainda hoje se encontra alindado e com boas condições de habitabilidade.
  Mesmo em frente do lado oposto da rua empedrada, que esteve muitos anos sem nela passarem carros, devido os portões se encontrarem sempre encerrados existia o quintal do Calmaria que possuía uma mercearia mesmo no largo da Tenda, onde o João Galego, tivera a honra de criar um dos primeiros comércios da terra, vendendo de tudo um pouco.
   Nesse espaço, mesmo colado às granadas que ladeavam o portão de entrada da Fábrica, onde mais tarde o seu filho guardava a sua burra já que possuía, uma carroça para o seu serviço, morou por misericórdia uma família muito pobre cujo patriarca e filhos trabalhavam na Fábrica da Pólvora, mas a matriarca, a Ludovina, governava-se de alguns biscates que fazia, nomeadamente lavar roupas, limpar casas e outros serviços domésticos,
   Um dos filhos por infelicidade, precisamente o Valentim acabaria por morrer afogado na praia da Ericeira e o outro, o Rui desapareceu por completo do lugar que nunca mais ninguém lhe pôs a vista em cima
    A Ludovina e os seus filhos, viviam numa barraca sem as mínimas condições, pois nesse tempo, anos quarenta e cinquenta a vida era demasiado difícil e devido à fraqueza das receitas que auferiam para seu modesto lar, se obrigavam aquele martírio, saindo dali, depois de melhorada a situação especialmente das duas filhas, a Cremilde e a Maria, que após o casamento, abandonaram o local, mas a mulher essa ficou, sendo mais tarde recolhida por uma das raparigas, pois, embora a barraca tivesse de ser demolida, para nesse espaço se construir habitação, a pobre senhora sofria de perturbações mentais.    
  Mesmo junto a essas casas antigas existia a Calçada do Jordão, pois recebeu esse nome devido a meio da artéria viver um senhor com esse nome, mas a estrada empedrada, o que ainda hoje acontece, era muito antiga, pois dizia-se que deveria ter mais de trezentos anos, pois era uma alternativa para o pessoal oficinal atingir a Fábrica de cima.
  Foi sempre uma calçada sem grande movimento, servindo apenas os moradores desse bairro que, aos poucos o velho Jordão foi construindo, casas que ainda hoje existem, mas esse arruamento encontra-se praticamente como nesse remoto tempo, sendo mesmo um dos locais mais antigos de Torcena.
   Mesmo no largo, que desde sempre recebera o nome de 1º de Maio, encontra-se a mercearia do “Lagarto”, cujo edifício está completamente abandonado, degradado e sem qualquer utilidade, e no estado em que se encontra, só depois de executadas avultadas obras, poderá ter alguma utilidade, casa onde se encontra gravado em azulejo, o nome antigo da terra “Torcena”, edifício que ainda se encontra naquele estado por a família não estar muito interessada em recuperá-lo.
  Ao lado dos muros do Quintal do Vítor Marques, hoje transformado num moderno café, encontra-se a casa que pertenceu à Laura do Quirino, onde viveu até aos seus últimos dias de vida, só que em 1933, essa pobre mulher acabaria por ficar viúva devido o chefe de família ter encontrado a morte numa terrível explosão na Fábrica da Pólvora.
    O núcleo antigo da localidade envolvia ainda algumas casas que comunicavam com o caminho da fonte e lavadouro municipal, que seguia para o lugar do Bico, pois toda essa artéria, onde não podiam circular viaturas é também muito antiga.
    Hoje tem o nome de Travessa 5 de Outubro e começa precisamente com a casa do Donões que foi maquinista de caminho de ferro nesse tempo e do outro lado, de uma velha casa que acabaria por ficar mesmo no meio da rua principal, depois do alargamento da Av. Santo António, devido a teimosias dos seus inquilinos, imóvel pertencente a um sargento do Exército, morador em Laveiras, mas nele vivia uma família composta por casal e duas filhas, o Senhor Mateus, a D. Esperança e as suas duas excêntricas filhas, Dinora e Gabriela.
   O núcleo antigo dispersava-se depois até à igreja com uma casa aqui e acolá, terminando mesmo no casal da Azarujinha, a caminho de Massamá, onde vivera a família dos “Guizos”, a uns metros antes, a família do Tapiço e quase ao lado situa-se ainda hoje a linda vivenda “Quinta das Lindas” que pertenceu a um comerciante de tapetes da capital, ocupada durante muitos anos pela família do Jacques Pinto, mas hoje propriedade da Câmara Municipal de Oeiras. 
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segunda-feira, 11 de julho de 2011

A família Sinel Cordes de Barcarena

Era a legítima proprietária da
QUINTA DE NOSSA SENHORA DA CONCEIÇÃO

   A Quinta Nossa Senhora da Conceição em Barcarena, é uma das propriedades mais antigas da freguesia e foi mandada construir no século XVII, pela família de Sinel de Cordes, um grupo de cavaleiros flamengos chamados a Portugal por Filipe II para recolherem os impostos.
   O edifício tem uma austeridade medieval, construído em 1641, já depois de finda a dinastia filipina, expulsa de Portugal em 1640, possuindo um portal maneirista da entrada e encimado por um brasão de pedra da família Cordes, constituído por dois leões adossados.
    O interior deste “solar” é ornamentado com belos e raros painéis de azulejo do século XVII e a capela, dedicada a S. João Baptista, tem um altar com embutidos de mármore florentino policromo, obra do famoso arquitecto, João Antunes.
   As paredes são revestidas a azulejos assinados por Gabriel del Barco e datados de 1697.
   Trata-se de um imóvel de valor concelhio, adquirido pela autarquia oeirense, por cerca de dois milhões de euros e entregue agora a uma escola.
  Nele viveu, o benemérito José Sinel de Cordes e a quinta nos últimos anos de vida deste famoso e considerado homem de Barcarena, precisamente no início do século XX, constituiu o celeiro da terra por tudo ali se criar.
  José Sinel Cordes tinha mais um irmão, o famoso General João Sinel de Cordes que vivia em Laveiras na Quinta do Jardim, que foi ministro de António Oliveira Salazar.
   José Sinel Cordes nasceu a 12 de Março de 1857 e em toda a sua vida foi uma pessoa generosa, ajudando os pobres, emprestando, inclusivamente, terrenos seus dentro da própria quinta a moradores para criarem as suas hortas e delas poderem sobreviver, uma vez que a vida nesse tempo era muito difícil para os mais necessitados.
    Possuía um lagar onde produzia o azeite, não só dos seus olivais, como de outras pessoas e no rio tinha uma azenha que, quando os moinhos da freguesia não funcionavam por falta de vento, recorriam ali, para moerem os seus trigos e transformá-los em farinha.
    O seu excesso de bondade era tal, que o levou a criar na quinta um serviço alimentar totalmente gratuito extensível a todos os pobres que ele conhecia na freguesia de Barcarena, gesto que o tornou, não só mais famoso, como muito querido pela população de Barcarena e não só.
   Sinel de Cordes contratou mesmo uma funcionária, a Maria Prancha para tratar dessas refeições, o que fez com que a população o considerasse uma pessoa querida, pelos seus gestos de bondade e solidariedade para com a classe mais desfavorecida.
  Para além desta importante oferta, José Sinel de Cordes ainda determinara dar esmola aos pobres que lhe batessem à porta, uma vez por semana, o que se fazia sempre com uma extraordinária boa disposição por um dos seus caseiros, deixando os desfavorecidos muito reconhecidos com o gesto daquele barcarenense.
  Também no dia de “Pão Por Deus”, o benemérito dava grandes quantidades de frutas e dinheiro aos que ali compareciam e a rapaziada, de saco bem cheio, regressava feliz, porque o ti Zé era boa pessoa e nunca se esquecia das crianças da terra no dia 1 de Novembro.
   José Sinel de Cordes prometeu que, quando morresse pretendia ir descalço para a cova e vestido com as suas piores vestes e assim aconteceu no dia 20 de Março de 1938, tendo sido sepultado no cemitério de Barcarena onde ainda hoje se encontram os seus restos mortais.
    Por todas estas razões depois da sua morte foi criada uma rua com o seu nome, mas após a revolução do “25 de Abril” essa artéria, inexplicavelmente passou a chamar-se Felner Duarte, outra figura de mérito em Barcarena, o que causou grandes protestos, considerado mesmo uma grande injustiça, não porque o novo “dono” da rua, não o merecesse, pelo seu atrevimento e coragem contra o ditador Salazar, pois ambos tinham cabimento na toponímia da freguesia, mas sim pela injustiça do acto, na medida em que a família Sinel de Cordes tinha sido gente exemplar dentro de Barcarena.
  Esta inesperada e reprovada atitude levou muita gente a revoltar-se, porque na realidade ele não merecia tão grande desfeita.
    A Quinta hoje foi cedida a uma instituição particular por parte da Câmara Municipal de Oeiras que adquirira por cerca de dois milhões de euros para fins escolares, sendo a “Oeiras International School” que a está a administrar, mas encontrando-se em obras de restauração e preparação para a sua nova actividade.
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