Terça-feira, 29 de Maio de 2012

Porto Salvo foi sempre a terra do Cavalo

  “A FESTA DO CAVALO EM PORTO SALVO
 DE ANO PARA ANO VAI AUMENTANDO A SUA IMPORTÂNCIA SOCIAL E CULTURAL”
    A Festa do Cavalo em Porto Salvo que já vai na XIII Edição, terminou da melhor forma, após três dias de actividades, ligadas à arte de cavalgar, evento que de ano para ano se tem notabilizado e referenciado o concelho de Oeiras a nível nacional, graças ao emprenho da Associação Equestre de Porto Salvo que muito tem labutado para que a mesma seja um dos melhores acontecimentos, não só da terra, como do concelho onde se insere.
     Este ano a festa encontrou uma vez mais bastante êxito, pois o programa é sempre aliciante, acorrendo ao local gente de todo o país, atraída pelas competições, pelos cavaleiros e afinal pela grande “aficion” pelos cavalos e  a “arte de cavalgara toda a cela”.
  Arte que já vem desde o rei D. Duarte, o “Eloquente” que escreveu o seu livro com o nome
 Livro da Ensinança de Bem Cavalgar a Toda a Selaque acabaria por não terminar devido a sua morte inesperada e daí em diante os cavalos passaram a ser vistos de forma diferente e não só, considerado na época um elemento fundamental das pelejas aguerridas, mas hoje, um dos mais importantes amigos do homem.
  A Festa do Cavalo em Porto Salvo, passou também a ter um melhor e mais amplo reconhecimento e apetência, devido ás homenagens que todos os anos ali se fazem a figuras notáveis da arte de bem montar e trajar e este ano mais uma vez a organização não faltou a esse importante e profícuo pormenor, ao homenagear o cavaleiro João Cardiga, que para além de completar 20 anos ao serviço dos cavalos na sua Academia Equestre em Leceia e pelo facto de ser filho da terra, foi reconhecido pelo seu empenho na acção social de apoio aos mais diminuídos e pelo profícuo trabalho que tem desenvolvido na formação de jovens para a arte de montar.
  A par deste acontecimento, que foi testemunhado por um dos mais consagrados homens da arte de cavalgar a toda a cela, o Dr. João Gorjão Clara que se dignou comparecer e que não só partilhou desta homenagem prestada ao cavaleiro da terra, como também examinou todos os candidatos ao cavaleiro e amazona mais bem trajados que ali se dignaram comparecer, sua grande especialidade.
  Mais de uma vintena de cavaleiros compareceram a concurso e foram atentamente vistos por aquela sumidade que ao cabo, exerceu uma acção altamente pedagógica explicando como se deveria trajar a rigor, obrigando a que os cavaleiros aprendessem os conselhos dados por aquele digníssimo conhecedor que assim determinou serem premiados, os seguintes concorrentes:
    Muitos amantes desta arte já ali foram referenciados e este ano, mais uma vez o júri indicou nas amazonas, Patrícia Silva, nos jovens até dezasseis anos, João Feitor e nos cavaleiros Carlos João a quem foram entregues lindíssimos troféus.
    O Arquitecto Magalhães da Silva, pessoa considerada nestas actividades, também pormenorizou as regras de bem vestir e montar e por estas razões a festa este ano teve esta importante mais valia que muito agradou à organização, entre muitos, os incansáveis Carlos Cardoso e Ricardo Baptista que sentiram uma grande alegria e felicidade por verem tanta gente nesta edição da Festa do Cavalo.
  A homenagem, a João Cardiga revestiu-se de uma grande emoção na medida em que o cavaleiro compareceu rodeado dos seus alunos, mais de três dezenas, trajados a rigor e o espectáculo ficou valorizado e por tal foi muito aplaudido pelas centenas de pessoas que rodeavam o picadeiro.
  Da Junta de Freguesia esteve nesta edição, o Dr. Alexis Gonçalves, mas Salvador Martins, o presidente da autarquia, compareceu mais tarde e ainda pode dirigir algumas palavras ao público, encerrando praticamente este evento.
 Agradecendo à Associação Equestre de Porto Salvo o seu trabalho que de ano para ano tem vindo a subir, com programas que agradam na generalidade, pois são sempre programadas actividades para o público em geral e não só espectáculos ligados ao cavalo, o autarca deixou ainda uma importante mensagem devido ao facto do país se encontrar de momento em franca fraqueza económica, pois garantiu ser necessário da parte de todos “amor, amizade e solidariedade para se poder vencer a crise, pois todos terão de dar um pouco do que têm na medida do possível, para se poder sair dela.”
  A Festa do Cavalo foi portanto uma vez mais um grande êxito tendo encerrado com folclore, abrilhantado por dois credenciados grupos da freguesia, “Flores da Beira” e “Lavadeiras”, e a finalizar, uma animada garraiada onde intervieram algumas Tunas que ali compareceram, conjuntamente com o muito público que se dignou assistir a participar.
  A Festa do Cavalo já é referenciada nos mais diversos certames ligados a este animal e daí que, seja mais um motivo de orgulho para este concelho, que assim vê o seu nome espalhado por todo o país, quando antigamente se falava de cavalos e manifestações a este animal, só aparecia o nome da Golegã, mas agora foi acrescentado mais esta localidade, Porto Salvo do concelho de Oeiras.
     Reconhecemos que esta feliz decisão apareceu tardiamente, pois esta ideia de se criar a Festa do Cavalo, não é de agora, pois já em tempos remotos, as gentes da localidade tinham uma grande paixão por este animal, pois as cavalhadas eram sempre um grande atractivo das festas anuais da localidade.
      Por ser atractivo e chamarem sempre muito público, acabaram até por se generalizar por toda a região, mas na verdade foi de Porto Salvo que saiu sempre a ideia e um grande número de montadas, onde a família dos “Baptistas” tinha sempre uma palavra a dizer entre muitos outros amantes, pois faziam espectáculo onde apareciam, recolhendo sempre os melhores prémios, brindando também por se apresentarem rigorosamente trajados o que impressionava o público das terras onde apareciam.
     A par disto, o concelho de Oeiras vem de há muito a sustentar esta “aficcion”, pois lembramos as duas escolas de equitação existentes em Leião e Leceia, e não podemos esquecer neste particular, o velho Ricardo Mourão e seus filhos que mantiveram a sua escola de equitação em Tercena na Quinta do Alemão, agora desactivada, devido aquele local ter sido alvo de uma importante urbanização e não se ter encontrado local para a mesma ser implantada.
 Mas uma coisa é certa e reconhecida por toda a gente antiga do concelho, Porto Salvo foi sempre uma terra ligada ao cavalo e por isso esta Festa na localidade, não só lhe assenta bem, como acaba por ser uma grande homenagem a todos esses grandes cavaleiros já desaparecidos que insistiram nesta nobre e bonita arte na sua terra, e é também por esta razão que a grande festa apareceu e pelo que temos vindo a assistir, de ano para ano, vai melhorando e criando um espaço nobre e de respeito no contexto nacional.
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Quarta-feira, 23 de Maio de 2012

Faleceu o "Júlio da Madalena"

“FALECEU JÚLIO MARQUES, HOMEM DEDICADO AO CINEMA E À FOTOGRAFIA E UM DOS INOVADORES DO TEATRO TERCENENSE
   Realizou-se o funeral de Júlio Marques, onde se incorporaram algumas dezenas de amigos e conhecidos, que bem sabiam que este homem morador em Tercena desde os anos quarenta, aqui encontrou sua esposa e na colectividade local acabaria por desenvolver uma intensa actividade cultural, independentemente de ter pertencido a vária direcções, por estas razões considerado um homem amigo da terra, empreendedor, tendo contribuído bastante para o seu desenvolvimento cultural e digno do maior respeito e consideração.  
    Júlio António Marques, vulgarmente conhecido em Tercena pelo “Júlio da Madalena” tinha 83 anos de idade, nasceu na freguesia de Santa Isabel em Lisboa, filho de Júlio Valentim Marques e Isaura da Conceição Marques, acabando por falecer no Hospital Fernando Fonseca na Amadora.
  O Júlio veio para Tercena, pois morava no Cacém, na companhia do seu amigo Albino Ferreira, conheceu a Maria Madalena Nogueira, enamorou-se dela casou mais tarde e por cá ficou até ao dia onde malogradamente encontrou a morte.
   Júlio Marques foi um grande elemento ligado ao associativismo, pois dedicou-se à arte dramática e das mãos dele saíram excelentes trabalhos na vertente teatral, pois como encenador, dirigiu vários grupos de jovens na organização, especialmente, de teatros de Carnaval, como as suas famosas operetas, “Na Corte do rei Ché-Ché” e  “Bocácio na Rua”, entre muitas outras, sendo mesmo um dos principais inovadores do teatro musicado na colectividade.
    Para além disto foi fundamental o seu empenho na caracterização, contra regra e decorador de bom gosto, pois foi graças às suas ideias e realizações que se fizeram espectáculos bastante agradáveis, não esquecendo o seu profissionalismo na arte fotográfica que, o empregou muitas das vezes ao serviço da colectividade e assim a publicidade provocou muito mais impacto aos espectáculos que nela se faziam.
   Sempre ligado ao associativismo foi director vários anos no Grupo Recreativo de Tercena, e numa dessas direcções a que pertenceu, precisamente em 1957, onde ele era presidente da direcção, talvez o acontecimento mais negativo da sua passagem pela colectividade de Tercena, a Orquestra do Grupo Recreativo de Tercena encontrou o seu termo, sob o espanto de toda a população e Júlio Marques foi rotulado de culpado disso ter acontecido.
     Criou-se uma certa polémica em redor de uns fardamentos novos para os músicos e uma das partes afirmou na altura que tinha sido o Júlio e a sua direcção, que provocou o desmantelamento da Orquestra, que era considerada a mais famosa da Área Metropolitana de Lisboa.
    Em nossa opinião a culpa foi de ambas as parte, pois já havia uma certa saturação por parte dos músicos, pois os elementos da Orquestra já se sentiam grandes vedetas pelos elogios que recebiam em todo o lado onde actuavam e quiseram impor ordens, o que terá contrariado a direcção da colectividade e ter feito o desarranjo de ideias, acabando de vez aquele agrupamento que já vinha dos anos quarenta, quando o mesmo foi mudado de instrumentos de corda para metálicos e Júlio Gonçalves assumira o comando da mesma por desistência do Mestre Oliveira do Cacém que estava à sua frente desde a fundação do Grupo.
  Mas nem tudo foi mau, pois numa das suas direcções, o Júlio Marques criou um novo piso sobre o bar, permitindo assim proporcionar no novo espaço uma sala de jogos, ficando mesmo em destaque o jogo de bilhar, outra inovação em Tercena, pois a partir daquela altura a colectividade passou a recebe muito mais gente, principalmente jovens.
   Independentemente disso, em 1961 participou na organização de um grande corso de Carnaval, que ficou marcado pelos muitos carros alegóricos que o compunha.
    Sempre ligado ao cinema pois trabalhava na “Pathé Baby” em Lisboa como operador cinematográfico e especializado em fotografia, exibiu várias sessões cinematográficas na colectividade e filmou esse mesmo corso que acabaria por ser um êxito, sob a realização de Fernando Silva, nessa altura grande parceiro de Júlio Marques na arte dramática.
   Na vertente profissional, o Júlio fez um excelente trabalho na “sétima arte” pois recordamos o acompanhamento de uma visita Papal ao nosso país, desde Itália, assim como a reportagem e filmagens técnicas do fatídico terramoto de um de Janeiro de 1980 na Ilha Terceira, trabalho para o Laboratório de Engenharia Civil onde nessa altura já trabalhava e ainda, entre muitos outros serviços de destaque, foi um dos que filmou a visita de sua majestade a Rainha de Inglaterra a Portugal.
    O Júlio deixou o associativismo passados uns anos, devido à vida atarefada que levava no Laboratório de Engenharia Civil, pois tinha que se deslocar a vários locais, não só do país como no mundo para executar filmagens e a colectividade de Tercena perdeu muito com isso.
  Viveu sempre nesta localidade ajudando quando podia a sua esposa na loja que possuía em Tercena, a capelista “Leninha”, nome dado por ter uma filha chamada Helena e hoje passados todos estes anos, depois de ter visto sua esposa adoecer gravemente e desaparecer pouco tempo depois, o Júlio definhou, entrou num período de doença grave, pois tinha-lhe sido detectado um temor maligno nos intestinos, e depois de muitos exames a doença foi-se agravando, pois desde o verão passado que vinha a verificar um emagrecimento precoce até que nessa 5ª feira foi ao hospital, mas regressou para casa, o mesmo acontecendo no sábado seguinte, só que no domingo ficou no FO e quando a filha ia para o visitar recebeu a notícia de que tinha falecido, precisamente no dia 20 de Maio no Hospital Fernando Fonseca - Amadora-Sintra.
  O seu funeral realizou-se para o cemitério de Barcarena tendo sido velado na casa mortuária da Igreja de Santo António em Tercena de onde saiu o enterro, sempre acompanhado de muita gente que bem o conhecia e sabia dos seus feitos aquando viera para esta localidade, ao serviço no associativismo, não esquecendo a grande competência que sempre demonstrara na arte cinematográfica, como na fotografia, pois não havia festa nenhuma em Tercena que o Júlio não fotografasse, pois era ele sempre que tomava o comando dessas operações.
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Segunda-feira, 7 de Maio de 2012

Um desbafo de Fernando Silva

AÇORES A TERRA QUERIDA DE FERNANDO SILVA
mas que tem fechado as portas à sua veia literária

    Não há dúvida que já não vale a pena escrever seja o que for, para que as gerações mais próximas possam um dia vir a saber o que por aqui se passou no passado.
    A leitura hoje está totalmente posta de lado, mas a verdade é que, quem escreve desde tenra idade, como Fernando Silva, que tem registos seus desde os doze anos de idade, sente uma grande angústia, mesmo uma enorme frustração por constatar que os seus trabalhos, alguns reconhecidamente de grande valia etnográfica e até histórica, são colocados à disposição das pessoas e afinal ninguém parece estar interessado em os ler.
   Hoje há apenas uma grande apetência pela leitura desportiva, da política e da choradinha vida dos portugueses, onde figuram os acidentes, os roubos, as violações e agora até muito em moda as notícias “cor de rosa”, com as aventuras e desventuras das nossos artistas, craques da bola, as chamadas “Ronaldices” e pouco mais.
  De resto, as pessoas pouco se interessam até dos grandes escritores que marcaram este país nos últimos séculos, quanto mais por estes curiosos amadores da escrita que tanto se sacrificaram por desenterrar tabus, e atirar cá para fora com as histórias verdadeiras, afinal saber o que se passou aqui e acolá, com os nossos antepassados, gente do povo, seus usos e costumas, suas desventuras e afinal a sua eterna difícil vivência.
   Fernando Silva depois de largos anos dedicado aos assuntos de sua região, dedicou ultimamente uma especial atenção aos Açores e isto por conhecer a maioria das ilhas, algumas até já em pormenor e entender que o que viu, o que constatou ser de grande importância, não só para levar ao conhecimento dos seus conterrâneos continentais, como até aos próprios locais, onde tão pouca literatura local acessível ao povo, se encontra, embora se reconheça que os Açores possuem grandes escritores, como foram de louvar, Vitorino Nemésio ou Natália Correia entre muitos outros.
   Fernando Silva escreveu dez livros sobre os Açores, mas por muito que tenha labutado ainda não conseguiu publicar os seus trabalhos nessa área, à excepção de um, dedicado à Ilha Graciosa, pois encontrou gente naquela terra que o ajudou a ter essa ideia e afinal ter adquirido grande parte da edição, homenagem seja feita ao grande amigo já falecido, Tomás Picanço, então na altura presidente da Junta de Freguesia de Guadalupe que acreditou nele e lhe deu todo o apoio, mas infelizmente pouco tempo durou depois de o conhecer.
  De resto, por muito que tivesse insistido, que falasse com as pessoas fundamentais e influentes, nada mais conseguiu publicar, e existem histórias em alguns trabalhos de grande valia etnográfica, uma vez que se trata de relatos de pessoas idosas da terra, experientes e que viveram uma vida ligada ao mar, à baleia e afinal aos ofícios duros daquelas ilhas, o que é sempre de recordar e louvar os seus sacrifícios.
  Fernando Silva conheceu os Açores pela primeira vez em 2003, ao deslocar-se a S. Miguel, terra que lhe ficou na retina pelas suas extraordinárias belezas e atreveu-se a escrever o seu primeiro trabalho dedicado àquela terra banhada pelo Atlântico a que deu o nome de “S. Miguel – Onde a natureza concebeu a oitava maravilha”.
   Encantado passou no ano seguinte pela ilha Terceira e aí, embora com outras características não menos maravilhosas e sedutoras, escreveu, “Ilha Terceira, um Paraíso de amor trabalho e Folia” e isto por se dizer à boca cheia que os terceirenses apenas pensavam na folia, mas afinal trata-se de um povo trabalhador, e muito afável.
   Em 2005 voltou de novo à Terceira, mas desta vez seduzido pelas narrativas do Espírito Santo e então esteve três semanas naquela terra, para observar ao vivo essas famosas festas iniciadas em Portugal no século XIV, por D. Diniz e rainha Santa Isabel e perdurando apenas nos dias de hoje nessas ilhas maravilhosas.
 Seduzido e mais que apaixonado por essa manifestação de fé, escreveu pormenorizadamente um livro a que deu o nome “Espírito Santo  - Quando a Fé se junta ao paganismo”.
     No ano seguinte esteve nas ilhas do Faial e Pico e ficou rendido e emocionado com o sucedido àquele massacrado povo ilhéu com as consequências do terramoto dos Capelinhos ocorrido em 1957 e igualmente encantado com todo este historial apenso ao que registou na ilha vizinha do Pico e sua importância histórica como Património da Humanidade, tendo escrito um trabalho a que baptizou com o nome de “Da Caldeira aos Capelinhos, não esquecendo as belezas da ilha do Pico”.
    Em 2007 voltou à Terceira mas para fazer ligação com S. Jorge onde foi encontrar uma ilha atraente e com motivos de grande interesse como são as fajãs e a sua veia inspiradora levou-o a narrar o que vira através de um livro a que deu o nome de “S. Jorge – A grande Montanha Verde”.
     Em 2008 voltou a S. Miguel para fazer de trampolim para uma breve visita a Santa Maria e aí encontrou semelhanças com a sua terra continental, pouco desenvolvida em busca de um trilho mais semelhante ao das grandes ilhas açorianas como são S. Miguel e Terceira e escreveu com entusiasmo e sobretudo muita coragem o que sentira no seu interior, dando o nome de “Santa Maria À procura do futuro”
  No ano seguinte voltou aos Açores e seria a sua última viagem ao arquipélago, pois visitou a Graciosa e aí conseguiu arranjar entusiasmo nas pessoas locais para poder editar o livro que escrevera e que ele próprio considerou ser a mais indicada ilha para viver os seus últimos dias de vida, uma verdadeira “Graciosa - Refúgio Paradisíaco”.
     Não voltou mais às ilhas, mas a sua veia literária levou-o a fazer comparações com a Madeira que ele conhecia desde 1968, não só por a ter visitado trinta e sete vezes, como também por ter estado ligado profissionalmente ao jornal “Diário de Notícias” do Funchal para quem trabalhou durante vinte e seis anos.
   As diferenças encontradas eram grandes, mas as suas críticas levaram-no a por de lado a “Pérola do Atlântico”, mas escrevendo “Madeira e Açores o Encanto de Portugal” e nas suas palavras ter dado a preferência aos Açores, pela sua forma ainda semi-selvagem, que tanto o encantou e o obrigou a uma série e de visitas seguidas.
   Depois de ter tomado conhecimento de todas as belezas e o enorme número de histórias passadas com os açorianos, e afinal por ter conhecido tantas famílias e dar-se bem com todas elas, devido ao intercâmbio produzido pelo folclore a que ele pertencia, Fernando Silva, escreveu duas novelas a que deu o nome “O Poder da Fé e da crença,” completamente entregue, também ele, ao fenómeno da fé que o povo mantém no seu divino Espírito Santo, e afinal também os efeitos produzidos naqueles que a mesma acabara por se perder devido às constantes infelicidade sofridas, e afinal as consequências maravilhosas dos chamados milagres, que não são mais nem menos, que puras coincidências mas que tanto efeito psicológico produzem no ser humano.
   Finalmente em 2011 os Açores, embora não visitados desde 2009, ainda continuavam a crepitar no cérebro deste curioso escritor amador, levando-o a manter nas suas nocturnas cogitações, aquele pedaço de terreno, escrevendo “A Escravidão da Vida” contando a história de um jovem que a sua vida quase destruiu, por devaneios, loucuras e jamais ter aproveitado as benéficas recomendações de seus familiares.
  Livros que traduzem os sentimentos daquele povo, as boas e más recordações dos seus intervenientes e afinal a grande ânsia de levar ao conhecimento das pessoas nessas maravilhas encontradas, verdadeiros tesouros que acabaram por ser desenterrados num período de dez anos consecutivos e afinal nunca ninguém lhes ter dado a devida importância, a não ser na Graciosa, talvez a mais pequena das ilhas do arquipélago, mas onde encontrou “Um verdadeiro refúgio paradisíaco”, quase que propício para ele descansar o resto dos seus dias com vida, mas que acabaria por ser apenas pura utopia, sedução excessiva, afinal uma ilusão, porque a vida o fez mudar de ideias e acabar por desistir, já que a sua origem e amor a ela, assim o obrigou.
  Um livro que escreveu em 2009, ano em que visitou a ilha e a afabilidade encontrada no seu povo levou-o a desabafar a sua vida, envolvendo-a com a maravilha da paisagem, sossego, os momentos de alegria, de encanto ali encontrados em apenas cinco dias, mas que lhe deram afinal a conhecer muitos amigos, que sem o conhecerem o apoiaram.
   Jamais poderá esquecer pessoas como foram, o Dr. Jorge Cunha director do Museu da Graciosa que lhe deu o maior apoio para este livro, o referido presidente da Junta de Freguesia de Guadalupe e ainda o antigo presidente da Câmara Municipal de Santa Cruz, José Ramos de Aguiar entre outros que conheceu, o que jamais deixará de lembrar, pois foram eles que fizerem fermentar todo este interesse e mesmo amor que criara pelas encantadoras e sempre misteriosas ilhas açorianas.
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Segunda-feira, 30 de Abril de 2012

Um dos melhores trabalhos de Fernando Silva

MAIS TRÊS OBRAS QUE MOSTRAM CLARA E FIDEDIGNAMENTE COMO SE ACTUAVA DENTRO DA LENDÁRIA FÁBRICA DA PÓLVORA DE BARCARENA
        Fernando Silva, quinze anos dedicados à Fábrica da Pólvora conhecedor da vida daquela empresa fabril do Estado e mais tarde companhia particular, tornada no maior parque de lazer e cultura do concelho de Oeiras, acabou de escrever o seu último livro sobre a vida naquela empresa.
   Após este último trabalho, Fernando Silva completou a série de três volumes, onde narra em profundidade as principais razões de ter sido sempre uma Fábrica virada para o insucesso, depois de ser adquirida por uma firma belga, a Companhia de Pólvoras e Munições de Barcarena, em Novembro de 1951, histórias ocorridas durante a sua estada enquanto empregado e portanto registo das últimas facetas que a levaram ao definhamento em 1988.
     O trabalho começa primeiro por contar a história trepidante, porque não emocionante de um dos trabalhadores fabris, “Felner Duarte”, cujo ódio a Salazar era tal que o levou à prisão e posteriormente deportado para Timor onde viria a encontrar a morte, assim com mais dois companheiros Júlio do Rego e António Silva que protagonizaram uma das mais importantes aventuras dos anos trinta em Barcarena.
   O segundo volume, “Degredo e Negligência” narra alguns acontecimentos dentro da Fábrica da Pólvora, mais propriamente a vida dos operários polvoristas, seus martírios dentro de um ambiente francamente desumano e degradante e fortemente acompanhado da grande negligência com que se actuava e decidia dentro da Fábrica e por último, “Um Anjo Explosivo”, a vida de um simples escriturário administrativo que tudo fez para ajudar o operariado, acabando por sofrer as consequências da sua dedicação, face a tantas contrariedades que o revoltavam no seu dia a dia.
    Estes três trabalhos aguardam a publicação por parte das entidades autárquicas de Oeiras, por o autor considerar um verdadeiro testemunho do ocorrido naquela empresa fabril, desde os primeiros anos do século XX, não esquecendo o embrião da Fábrica e as histórias adjacentes a ela.
       Os factos descritos, são considerados de grande valor histórico e patrimonial, que devem ser preservados, para mais tarde se poder analisar e avaliar o quão difícil foi viver em Barcarena e sobretudo trabalhar naquele verdadeiro degredo que ceifou a vida a muita gente ao longo da sua vida, através das terríveis explosões, trabalhos que poderão ser analisados por quem por eles tiver interesse, exclusivamente na Biblioteca da Quinta do Filinto em Tercena, a funcionar das 10 às 22 horas.
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Sexta-feira, 27 de Abril de 2012

Fábrica da Pólvora

PERÍODO DA REAL FÁBRICA DE BARCARENA
NO REINADO DE D. JOÃO V
     A Real Fábrica da Pólvora de Barcarena, foi construída oficialmente no século XVIII, mais propriamente em 1729 no reinado de D. João V, na época onde imperava o “Absolutismo”, onde foram criadas grandes obras em Portugal, como o Aqueduto das Águas Livres em Lisboa e o Convento de Mafra, entre muitas outras importantes obras.
  D. João V, que reinou desde 1 de Janeiro de 1707 a 31 de Julho de 1750, a quem foi atribuído os mais diversos cognomes, como o “Magnânimo”, “o Magnífico”, o “Rei Sol Português” e ainda o “Freirático”, nomes com que foi conhecido, os primeiros pela grande riqueza patrimonial criada no país e o último pelas suas aventuras com as freiras dos conventos, foi quem determinou alterar o regime de fabrico de pólvoras no país, por saber que essa actividade estava a funcionar muito mal, já que vinham sendo atribuídos alvarás de exploração do fabrico desse produto explosivo aos mais diversos empresários, que nessa altura viviam da sua habilidade e arrojo na fabricação dessa perigosa matéria.
    As fábricas ou engenhos como lhe chamavam espalharam-se durante vários anos pelas margens da ribeira de Barcarena, que nasce em Almornos vindo desaguar a Caxias, no Rio Tejo, já dentro do concelho de Oeiras, mas funcionando de forma artesanal, obsoleta e como tal explodiam com frequência não havendo um mínimo de segurança.
    Essas fábricas eram criadas nas margens do ribeiro, aproveitando-se o curso de suas águas que passavam por dentro da Fábrica da Pólvora, o que foi aproveitado para lhe dar vida, pois a força hídrica foi a que imperou durante alguns séculos para colocar em funcionamento toda a maquinaria existente, primeiramente as Ferrarias Del Rey que D. João II criara, um pouco a montante das novas instalações da nova unidade fabril e posteriormente nessa mesma nova fábrica.
  As Ferrarias Del Rey foram construídas no século XV, mais propriamente em 1487 por D. João II, visando já inteligentemente a futura epopeia através dos Oceanos, tendo encerrado em 1695, finais do século XVII, depois de mais de dois séculos de laboração, onde se conceberam e fabricaram as mais diversas armas da época, que serviram na grande epopeia marítima, que mais tarde, D. Manuel II as utilizou na descoberto do mundo, e onde Portugal foi “rei e senhor” através da grande coragem, valentia e arrojo lançando-se por esses mares na descoberta dos mais ricos e importantes territórios espalhados pelo mundo.
  A água era desviada da ribeira de Barcarena para um açude, e canalizada através de uma levada que a transportava até à referida fábrica, e armazenada numa caldeira, existente na fábrica do norte, onde se encontravam as referidas Ferrarias e onde se fabricou o mais diverso material bélico.
   Armas, de defesa, bacamartes, escudos espadas peitoris e tantas outras peças de cariz bélico, foram ali construídas nesses mais de dois séculos, até que foi contratado António Cremer, um suíço entendido na especialidade que construiu uma fábrica segura que se manteve durante muito tempo no espaço onde hoje existe o Museu da Pólvora Negra, já que nos anos cinquenta, no tempo em que governava a Companhia de Pólvoras e Munições de Barcarena (1951-1988), nesse espaço funcionavam os armazéns gerais da respectiva unidade fabril do Estado.
    A Fábrica nova que garantia uma maior segurança aos operários de Barcarena, laborava com um sistema hidráulico não muito complexo, mas funcional, pois toda a água era aproveitada do ribeiro, que em períodos do ano era desviada do seu leite para esse açude existente ainda hoje no lugar do Bico, mas em estado degradante e fazia encher as caldeiras de reserva, que existiam dentro da fábrica.
   As chuvadas que caíam no período de Novembro a Junho eram aproveitadas e como tal desviadas para essas levadas, que, quando enchiam as caldeiras deixavam de receber, sendo encerradas as comportas do açude existentes no Lugar do Bico, mas completamente desmanteladas em ruínas.
    Primeiramente, águas que alimentavam o funcionamento das máquinas nas Ferrarias Del Rey e depois, já na era de Cremer, a nova caldeira construída mesmo ao lado da nova fábrica onde funcionavam as galgas de fabrico das pólvoras.
    A levada trazia a água até à fábrica de baixo e aí as mesmas caíam sobre os engenhos, quais noras ali montadas que faziam girar as engrenagens portadoras de pás que faziam mover os engenhos, então chamados “galgas” e assim se trabalhava dentro desta lendária fábrica que foi a alegria e a tristeza de muita gente, quase toda oriunda da freguesia de Barcarena.
   Recentemente, José Luís Gomes especializado na cultura e historial desta antiga fábrica de explosivos, mostrou aos visitantes assíduos da Fábrica da Pólvora, não só o espaço geográfico da mesma onde foi criada uma exposição denominada “Fio de Memória”, como explanou toda a “reinauguração da Real Fábrica da Pólvora 1729”, e o seu funcionamento através da força hídrica.
   A Fábrica surgiu numa época áurea do pais, onde o monarca D. João V, dotou Portugal, não só de um grande número de igrejas, algumas de grande arquitectura e outras simples capelas, mas que acabaram por ser funcionais como ainda hoje conhecemos a dedicada a Santo António em Tercena, assim como muitas outras obras de grande envergadura, como o convento de Mafra, e o Aqueduto das Águas Livres na capital portuguesa.   
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Segunda-feira, 23 de Abril de 2012

Crítica à nova produção

A REVISTA À PORTUGUESA DA
 ASSOCIAÇÃO CULTURAL DE TERCENA
 É DE FACTO UM ÊXITO
     A revista à portuguesa estreada na Associação Cultural de Tercena em 30 de Março “Os Filhos da Troika Saloia” após três sessões tem sido alvo de grandes elogios, pois trata-se de um espectáculo actual, moderno, alegre e sobretudo etnográfico.
   Etnográfico porque tem quadros que retratam Tercena no seu passado, como a história que caracterizou o encerramento da capela de Santo António em 1917 em que um grupo de malfeitores tentaram roubar a colecção de azulejos sobre a vida desse santo tão popular no nosso país, mas que um grupo de moradores, pese embora já tivesse sido retirado das paredes do altar uma parte, impediu com determinação.
  A revista, mostra ainda um quadro onde retrata, três das figuras mais castiças nos anos 40 do século passado em Tercena, como foram o “Pedro Siga a Dança” pastor do agricultor João de Peles, sua mulher a “Sebastiana” e ainda o cantoneiro da Câmara Municipal de Oeiras, Clemente Antunes, mais conhecido pelo “Cu Negro”.
    Para além destes quadros mostra ainda uma suposição como teria sido a vida dos primeiros habitantes de “Torgena”, no século XIII, onde uma clã aqui se estabeleceu dando a todo o espaço geográfico onde se integra a actual Tercena, denominada “propriedade dos homens de Torgena” que vivia essencialmente da agricultura.
    Revista que se caracteriza pelo facto de mais de metade do elenco ter sido a primeira vez que pisou o palco e logo alguns dos seus elementos se destacaram, como aconteceu com Ana Valido, Cidália Santos e Patrícia Marques e o grupo de danças formado por crianças.
  O êxito acresce ainda com a actuação dos consagrados, como são Emília Silva e Joaquim Peres, que desde sempre se mostraram com grandes tributos para esta arte dramática, ao lado de Luís Silva, Bebiana Salsinha e Leonel Lourenço que francamente se mostram já com grande presença técnica e dramática, apesar de terem feito ainda poucos espectáculos.
     A grande evolução cénica vai inteirinha para Joana Silva com a sua enorme presença em palco e o improviso adequado e oportuno, sempre necessário neste tipo de espectáculos, Carolina Santos, onde a confirmação do seu valor multifacetado é uma facto indesmentível e Frederico Monteiro, com a sua singeleza, mas dotado de excelente humor e vontade de singrar, não esquecendo a colaboração de Sara Monteiro que interpreta um extraordinário papel de velha em fase terminal, um momento dramático de grande significado e que quase todos os idosos se obrigam a passar por ele.
   Os demais são figuras que completam o elenco e que o valorizam acabando por dar o seu melhor contributo, num espectáculo onde Fernando Silva tentou fazer o seu melhor, adaptando os elementos que reunia, o que não foi nada fácil, mas prescindindo da espectaculosidade cenográfica, tão vulgar neste tipo de teatro, por não possuir, infelizmente, ninguém que executasse os cenários necessários, o que acaba por ser uma enorme carência, apenas ultrapassada pela qualidade de algumas interpretações.
   Um espectáculo que conta ainda com a criatividade musical de Hugo Botica, apoiada pelo acompanhamento ao vivo, executado por Jorge Mendes e seu órgão electrónico, acabando tudo por contribuir para um sucesso de casas cheias, onde em apenas três sessões realizadas a colectividade já registou uma presença de 212 espectadores, dentro de uma sala que comporta apenas setenta pessoas.
  No espectáculo da 26ª Mostra de Teatro de Oeiras, a sala estava atulhada com cem pessoas presentes, estando quase metade da lotação de pé, por não possuir lugar sentado, e ninguém se atreveu a sair dela.
   Dizia a responsável por estas iniciativas promovidas pela Câmara Municipal de Oeiras que “o aumento de público nos espectáculos da Mostra de Teatro deste ano, deve-se ao facto da crise inibir muita gente de assistir aos grandes espectáculos de teatro profissional de Lisboa, por falta de verbas, e optar por estes apresentados pelos amadores e principalmente desta iniciativa que são gratuitos”.
    A verdade é que, para além desse facto, que na realidade ultrapassou todas as perspectivas, os outros dois também tiveram lotações numerosas, o que obriga a colectividade a pensar em novas sessões, mas infelizmente só as realizando quando os amadores encontrarem disponibilidades, estando dependente dos serviços que cada um desempenha e isso é de momento o grande inconveniente e elo inibidor da não se apresentarem mais sessões seguidas.
      De qualquer forma a colectividade está a planear outras datas que por certo irão ser igualmente bem lotadas de público, porque na realidade a peça “Os Filhos da Troika Saloia”, é um espectáculo digno de se ver, não só pela actualidade que apresenta, a crítica constante à incomodativa “Troika” que nos assolou, como pela qualidade, não só do texto, da graciosidade e valia de muitos dos seus intérpretes, portanto aqui deixamos votos para que as pessoas apareçam na Quinta do Filinto porque na realidade vale a pena, tratando-se mesmo de mais um grande êxito, não só de Fernando Silva, que escreveu e encenou este texto, considerado dos melhores concebido ao longo da sua já longa carreira como autor e encenador, como pela boa disposição que o espectáculo produz de princípio a fim e ainda pela grande lição de etnografia que se recebe nesta 21ª produção teatral da Associação Cultural de Tercena.
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Terça-feira, 20 de Março de 2012

Barcarena e os seus "Soldados da Paz" centenários

BARCARENA VIVEU SEMPRE À VOLTA DA SUA QUERIDA CORPORAÇÃO DE BOMBEIROS

A localidade de Barcarena, conheceu muito cedo diversas estruturas sociais, devido os seus habitantes possuírem esse desejo, uma vez que, como a maioria trabalhava na Fábrica da Pólvora de Barcarena, sentia-se deveras explorada e como tal, desde sempre travara uma enorme luta contra a ditadura de Oliveira Salazar.
  Foram vários os cidadãos que foram presos por questões políticas e como tal, Barcarena esteve sempre debaixo de olho por parte das autoridades por mostrar esse grande espírito vanguardista e isso não ser normal naquela época, por não existirem noutras localidades do país com as mesmas características.
  Uma farmácia, um montepio, um jornal, um grémio agrícola, um sindicato, entre muitas outras, acabavam por deixar preocupado os governantes e por essas razões era sempre muito bem vigiada pelas autoridades, nomeadamente a Polícia do Estado.
  Um grupo de empregados da Casa da Moeda foi preso e depois a rebelião onde participaram Felner Duarte, Júlio do Rego e António da Silva o “Pirata”, aumentava ainda mais essa desconfiança.
    Ainda devido ao grande labor do seu povo, em 1880, foi criada uma colectividade que mantinha o seu agrupamento musical denominado “Sol & Dó” e foi dessa ideia que surgira a criação de um grupo de bombeiros, por o barracão onde se guardavam os instrumentos ter sido alvo de um violento incêndio e logo veio a ideia de que afinal o que Barcarena necessitava era de uma corporação de bombeiros.
    Recordamos ainda alguns dos fundadores que muito contribuíram para o desenvolvimento da Associação, como Cipriano Augusto, Ramiro de Oliveira, António da Costa Pereira, Manuel Jacinto entre muitos outros. 
    Três anos depois, foi inaugurado um fontanário no largo principal e a festa foi rija com as crianças a fazerem um desfile pela localidade.
 Os Bombeiros passaram a dominar as atenções de toda a população que tudo faziam para manter segura a sua terra e arredores e para isso muito importante foi a dedicação de alguns comandantes, como Francisco Cochicho, Cipriano da Purificação da Silva entre muitos outros.
   Este último saiu do activo em 1988, falecendo em 2009, mas enquanto manteve aquele cargo foi um grande benemérito que muito ajudou a corporação barcarenense com ofertas diversas.
   O desenvolvimento da Associação em várias áreas, aumentou o grande interesse pela colectividade que se mantinha, dando azo a que as actividades culturais desfilassem através das gentes locais e Alípio Seco acabaria por ser um dos grandes maestros da Banda de música que ali se criara.
   Com o decorrer dos anos a Banda Musical foi evoluindo, vários maestros por ela passaram e a mesma continuava a ser uma das melhores da região, contudo, por vezes havia conflitos entre alguns elementos, a direcção ou o comando e de momento até parece haver problemas pois a direcção suspendeu aquele agrupamento famoso, que ao longo deste seu primeiro século de existência só somou êxitos através da sua real potencialidade.
 A verdade é que hoje músicos que actuem gratuitamente vão sendo poucos e esta é uma das razões de algum desentendimento, pois sempre que tem de actuar têm que pagar a músicos e por isso a direcção queixa-se que não está a ser sustentável, e ainda acrescido do facto da Câmara Municipal de Oeiras ter reduzido os subsídios para a actividade cultural.
 Na área teatral, Ramirinho entre muitos outros distinguiu-se e o teatro passou a ser o grande orgulho da terra, pois sempre ali apareceram amadores de grande classe.
    As danças etnográficas foram também uma realidade naquela Associação, onde se distinguiram diversos elementos como o “Batata”, a Natália do “Laranja”, Maria Fonseca entre muitos outros que participavam também, nas mais diversas récitas, e cegadas pelo Carnaval, assim como os animados bailes que o seu cavalinho abrilhantava.
 Na área social os seus “soldados da paz” evoluíram de uma forma tal que hoje são considerados como elementos de grande qualidade, numa das melhores e mais profícuas corporações do concelho de Oeiras, mantendo um grande número de profissionais, um elevado número de viaturas, tendo por isso uma enorme despesa, suportada por alguns subsídios vindos de diversos organismos estatais e dos muitos serviços prestados cobrados à população.
    Mas recordando o início desta Associação de Bombeiros, as dificuldades eram enormes no tempo em que Francisco Cochicho era comandante, onde existia apenas uma ambulância e mesmo assim velha, cada vez que era solicitado os seus serviços tinha de sair da Fábrica da Pólvora um motorista para a conduzir.
  Em 1941, apareceu um carro de combate aos fogos, de grande classe e beleza, a que foi dado o nome de “Persistente”, onde António Pires e outros empregados da Fábrica da Pólvora o construíram, sendo a jóia preciosa daquele corporação, estando ainda guardado na sede da Associação como uma verdadeira relíquia do passado.
   Os bombeiros de Barcarena têm uma grande tradição sendo inclusivamente um valor histórico muito importante que urge ser preservado pelas camadas mais jovens, contando com o apoio, não só das muitas empresas que existem na área da Corporação, como pelos muito associados que possui e dos muitos serviços que presta à população.
      A Associação vai sobrevivendo, mas de momento, nos tempos difíceis que decorrem, aquela estrutura humanitária terá de evidenciar esforços no sentido de serem superadas as dificuldades, porque esta crise imposta pela “Troika” tem trazido enormes problemas, não só aos bombeiros como a todas as colectividades do concelho, devido ao corte drástico de subsídios e sobretudo os dirigidos a estas associações que zelam pela vida das populações, porque sem apoios, não poderão manterem-se com a funcionalidade como se deseja, e afinal como até aqui vinha acontecendo.
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