quarta-feira, 6 de junho de 2012

A FALTA DE ESTRUTURAS
 NA FREGUESIA, É UMA DAS RAZÕES DA FRAQUEZA DESPORTIVA NA AUTARQUIA BARCARENENSE
      O Desporto em Barcarena esteve sempre desde os primeiros anos do século passado bastante apagado, pois nunca encontrou instalações próprias para ser praticado, assim como da parte dos autarcas locais jamais encontrou grandes vontades, pois mesmo nos nossos dias, é uma freguesia que nunca possuiu qualquer estrutura para se poder praticar fosse o que fosse.
    O Futebol foi sempre a modalidade mais desejada, pese embora o Grupo Recreativo de Tercena, fundado em 1928, tivesse tido equipas que jogavam futebol mas praticavam-no em campos de fora da terra, como o Estádio 1º de Maio em Lisboa, Grupo Desportivo de Queluz e em outras estruturas da periferia, obrigando-se ao pagamento de alugueres de campo e outras despesas.
  O futebol começou a ser jogado em Tercena no seu primeiro campo adaptado, que ficava paralelo à Av. de Santo António, pois uma das balizas situava-se onde se encontra hoje o começo da Av. Infante D. Henrique, local onde mais tarde viria a instalar-se o Restaurante Pico do Arieiro e ia até quase à Travessa 5 de Outubro.
    Este campo perdurou durante alguns anos, quando o Grupo Recreativo de Tercena se fundou, mas depois teve de ser abandonado, porque os terrenos eram de agricultura e mais tarde então, acabariam por se encher de prédios como se verifica ainda hoje.
    Desaparecido este espaço desportivo, que diziam os antigos ser já muito aceitável, apareceu a Fábrica da Pólvora com uma equipa de futebol que fazia jogos particulares com outras fábricas congéneres e um dos campos que ficou famoso, construído em Tercena para as comemorações dos 400 anos da Fábrica foi o que se concebeu ao lado da estrada da Cruz dos Cavalinhos.
     Registou-se lá um encontro de futebol entre a equipa de Barcarena com a formação de Chelas, no dia 7 de Julho de 1940, quando a Fábrica completou o seu quarto centenário da sua existência e nessa efeméride famosa, foi organizada uma grande festa, que decorreu na Quinta de Nossa Senhora da Conceição em Barcarena, mas o jogo de futebol teve lugar no novo campo em Tercena, preparado pelos próprios jogadores e outros operários da Fábrica, junto à Quinta da Batateira na Cruz dos Cavalinhos, onde existe hoje uma casa pequena, quase colada ao ribeiro que ali passa.
  Era aí que a equipa da fábrica jogava que acabaria por dar oportunidade a outros grupos improvisados aproveitando aquele espaço arranjado, com balizas oficiais e marcações no terreno para efectuarem os seus encontros particulares, mas nunca ninguém se aventurou a fundar um grupo que praticasse a modalidade oficialmente, pois se tivesse havido era bem provável que esse campo ainda hoje existisse com todas as condições exigidas para a prática do futebol, uma vez que ele ainda existe livre e sem nunca ter registado grandes sementeiras.
     O campo esteve ali durante alguns anos, mas depois acabaria por ser anulado, por os donos da propriedade precisarem daquele terreno para completarem as suas searas, pertencentes ao proprietário do casal do Álvaro da Pinta, situado um pouco mais acima, junto à Quinta do Sobreiro.
   A partir dessa data nunca mais conhecemos nenhum campo oficial em Tercena, pois o que apenas existiu foram espaços que remediavam, sem possuírem as medidas exigidas, como foi o espaço junto à Quinta do Filinto, inclinado, e pouco nivelado, na área de jogo, que era utilizado pelos jovens para se entreterem a jogar o futebol ao domingo.
  Antes porém, também a eira do António Guizo que serviu para se jogar o futebol depois das debulhas, e o pessoal da Fábrica da Pólvora que mantinha a sua equipa de futebol treinava ali, mas o espaço apenas possuía metade das dimensões de um campo oficial, servindo somente para os jovens treinarem.
  Também, nesta luta por um espaço para se praticar futebol na terra, surgiu um outro, no lugar do Bico junto às velhas instalações da “Cartucheira”, que mais tarde viria a ser ocupado pela Fábrica da Pólvora, mas também de dimensões reduzidas mas que ia servindo para os jovens se divertirem e treinarem.  
   Criou-se mais tarde um espaço para se jogar o futebol junto ao Grupo Recreativo de Tercena, que anos mais tarde viria a ser adaptado pela Câmara Municipal para o Futsal e onde ainda hoje se joga, mas sem se poder praticar a modalidade oficialmente.
   Mas se as instalações para o futebol escasseavam e acabariam por nunca aparecer até aos dias de hoje, não só em Tercena como em toda a área da freguesia, os clubes que se formavam, no sentido de um dia virem a adquiri um espaço, para o desporto rei do nosso país, viriam a desistir, porque ele jamais aparecera até aos dias de hoje.
  O Grupo Recreativo de Tercena lutou por esse espaço vários anos, mas os seus apelos, as sua insistências recebiam apenas promessas, só que elas nunca se converteram positivamente nem convenceram ninguém, nem sequer os autarcas de Barcarena quanto mais os vereadores da Câmara Municipal de Oeiras, que fizeram sempre ouvidos moucos aos apelos e solicitações dos clubes, nunca dando importância à freguesia de Barcarena, quanto mais a Tercena.
    Este incompreensível desprezo obrigou a criarem-se outras modalidades, como o ténis de mesa e depois os estatutos da colectividade de Tercena não permitiam a prática desportiva, no entanto em 1959, um grupo de jovens interpelou a Assembleia Geral da colectividade e conseguiu milagrosamente uma alteração dos seus estatutos que então já permitia o Grupo praticar desporto.
  Bem se opuseram nesse dia, Filinto Silva, Américo de Carvalho, Alberto Silva e outros, gente já de idade e que apenas reconhecia no Grupo Recreativo de Tercena actividades de índole cultural, mas os jovens conseguiram a maioria e obtiveram o sim.
   Mas mesmo com essa vantagem, nunca foram mais além, pois o que conseguiram foi formar grupos de jovens para praticarem a modalidade mas a nível da Inatel e ainda chegaram a fazer alguma figura mas foi actividade que pouco tempo durou, pois entretanto o futsal apareceu e parecia trazer maior apetência para os jovens, uma vez que já existia um espaço minimamente preparado para se praticar se jogar a nível oficial, já que o futebol de onze obrigava a grandes deslocações e uma maior despesa.
  Inscreveram-se várias equipas jovens e assim tem funcionado até aos dias de hoje, pese embora em determinada altura, quando o polivalente ficou preparado com as mínimas condições a Associação de Futebol de Lisboa determinou que a modalidade só podia ser praticada a nível oficial em pavilhões cobertos e logo o GRT perdeu o entusiasmo mas continuando com as camadas jovens, o que ainda hoje se verifica.
  Muito antes existiram grupos de jovens que tentaram criar uma outra colectividade que se dedicasse exclusivamente ao desporto, uma vez que o Grupo Recreativo, entregue a preconceitos retrógrados e princípios estatutários, não permitiam essas actividades, tendo-se criado em 1957, o Sport Clube de Tercena, que parecia ir avante pois chegou a reunir mais de cem associados, com sede própria e com corpos gerentes.
  O novo grupo reunia no largo 5 de Outubro numa propriedade do António Barbosa mas mais tarde houve necessidade de mudança e o Grupo passou a utilizar como sede um espaço comercial na Av. de Santo António, mas pouco tempo duraria, por não haver força associativa e depois, a pressão criada pelos antigos sócios do Grupo Recreativo de Tercena mais acelerou e acabou por fazer desistir os mentores desse agrupamento, que chegou a organizar uma grande festa em Tercena de parceria com a colectividade principal de Tercena.
    No final dos anos oitenta voltou a surgir a ideia de uma nova colectividade dedicada ao desporto, que ainda recebeu o nome de Associação Desportiva de Tercena, funcionando nas instalações da Quinta do Filinto, a empréstimo do seu proprietário, mas pouco tempo durou, havendo depois a mudança de ideia, dando-se preferência a uma associação cultural que ainda hoje funciona e com grande êxito.
   O Grupo Recreativo de Tercena labutou sempre por conseguir um terreno para a prática do futebol, mas nunca foram ouvidas as suas preces, assim acontecendo com outros grupos da freguesia de Barcarena que tinham futebol mas obrigando-se também a jogar em campos alugados, como aconteceu com o Grupo Desportivo de Barcarena que se iniciou num campo improvisado por detrás do edifício da Junta de Freguesia, mas não tendo praticamente qualquer utilidade.
      O Valejas Atlético Clube, os “Fixes” de Queluz de Baixo e a SERUL de Leceia, também pensaram no futebol de onze mas acabaram rendidos à verdade nua e crua, pois não havia onde jogar dentro das suas localidades.
   Por essas mesmas razões todas as colectividades da freguesia de Barcarena dedicadas as desporto têm as suas actividades desportivas, mas o futebol não é praticado, talvez a modalidade mais apetecida, no entanto a falta de um recinto para tal tem inibido esta freguesia de manter um grupo em competição em jogos oficiais e por isso mesmo se dedicam a outras modalidades que se praticam em outros recintos, como o futsal, o atletismo, o cicloturismo, o ténis de mesa entre outras.
   Esta antiga contrariedade por parte da autarquia municipal à modalidade rainha do nosso país, tem sido muito prejudicial para os jovens desta freguesia, pois bem poderia já existir um campo de futebol, pois se houvesse talvez não tivesse morrido tanto jovem na freguesia agarrado à droga, pois não conseguimos entender quais as razões de tal, já que a grande verdade é que o desporto da freguesia de Barcarena não possui qualquer cotação, pois apenas no atletismo tem feito alguns progressos através do Grupo Desportivo ”Os Fixes” de Queluz de Baixo, o Futsal pela SERUL de Leceia, Valejas Atlético Clube e Grupo Recreativo de Tercena e “Fixes” de Queluz de Baixo, já que o Grupo Desportivo de Barcarena, face ao desinteresse e  falta de optimismo das suas direcções, se deixou arrefecer com o desporto, pois apenas mantém a sua equipa de cicloturismo e nada mais.
     São cinco as colectividades da Freguesia que praticam desporto, uma em cada localidade, mas o que se faz é tão pouco que nem sequer é falado nos jornais do concelho, quanto mais a nível nacional, e isto porque os sucessivos executivos da Câmara Municipal de Oeiras, nunca se preocuparam em dotar a freguesia de Barcarena com os espaços respectivos para a prática do desporto, pois sem um campo de futebol, ou um pavilhão nada se pode praticar restando apenas uma piscina, mas que pratica apenas manutenção e assistência social a doentes, possuindo apenas e desde sempre, as estradas da freguesia disponíveis para a prática do atletismo e pouco mais.
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