segunda-feira, 30 de maio de 2011

A QUINTA ONDE VIVEU A FAMÍLIA DO CAPITÃO SILVEIRA ANTES TINHA SIDO PROPRIEDADE DO ESCULTOR BARATA FEYO
   A Quinta do Capitão Silveira, de seu nome próprio, António Luís da Silveira, era vulgarmente conhecida desde sempre, pela “Quinta do Senhor Capitão”, casado com a D. Maria Luísa Couceiro Feyo Silveira e situava-se em Tercena em plena Av. de Santo António.
     A propriedade acabaria mais tarde, nos anos oitenta, por ser demolida pelos seus últimos proprietários, para que não fosse invadida pelos refugiados de Angola e Moçambique, que na altura lutavam por uma casa e que tinham vindo de África e o capitão acabaria por ser um dos últimos a viver nela, embora ainda tivesse lá vivido uma outra família, mas por pouco tempo.
    Um dos primeiros moradores da Quinta, que tivemos conhecimento, foi de facto o famoso escultor Salvador Carvão da Silva d'Eça Barata Feyo, militar graduado, pois atingiu a patente de general, nascido em Moçâmedes, a 5 de Dezembro de 1899 e tendo falecido 90 anos depois, precisamente a 31 de Janeiro de 1990.
    Esta ilustre figura das nossas artes e do exército, que se supõe ainda ter sido parente da esposa do capitão Silveira, foi autor de inúmeros trabalhos que se encontram espalhados pelo nosso pais e estrangeiro. Frequentou o Colégio Militar, mas concluiu o Liceu em Coimbra e em Lisboa, obras como a Estátua de Bartolomeu Dias na cidade do Cabo concebida em 1952, estátua de Francisco Sanches construída em 1954 em Braga, o monumento a Almeida Garrett criado em 1951 e edificada na praça Humberto Delgado no Porto, entre muitos outras.
   Terminou o curso de Escultura em Julho de 1929 na Escola Superior de Belas-Artes de Lisboa, onde frequentou, também, os cursos de Pintura e Arquitectura, respectivamente em 1923-1924 e 1924-1925.
   Em 1933 esteve em Itália como bolseiro do Instituto de Alta Cultura e no ano de 1949, deixou Tercena, uma vez que teve de viver no Porto, onde fixara residência, já que fora colocado como professor na Escola Superior de Belas-Artes, período que mediou entre 1949 e 1972.
    Entretanto de 1950 e 1960, Barata Feyo foi Conservador Adjunto dos Museus e Palácios Nacionais e Director do Museu Nacional de Soares dos Reis.
   Publicou dois livros sobre “A Escultura de Alcobaça” e “José Tagarro” e vários estudos sobre artistas portugueses no jornal O “Comércio do Porto”, entre muitíssimos trabalhos que lhe deram uma grande fama.
    Depois dele, vivera uma outra família que pouco tempo nela estivera, devido a uma das senhoras que lá viviam, que se supõe ser a esposa do arrendatário, ter-se suicidado com um corte nos pulsos.
  Após este incidente, a quinta ficou livre, mas também esteve nela pouco tempo, pois a mulher acabaria por morrer no hospital e o capitão Silveira, que vivia na Quinta do Marques Café, um pouco mais para norte da localidade, mudou-se imediatamente para lá por entender possuir uma habitação com melhores condições que aquela onde vivia, e também porque a família aumentava, embora também fosse dotada com um bom espaço agrícola .
    O Capitão Silveira viveu ali durante alguns anos, onde cresceram os seus netos, conjuntamente com a família, pois tratava-se de uma vivenda muito antiga.
   Era uma casa bonita, murada para a rua principal, possuindo igualmente boas condições para a agricultura, que passou a ser cuidada por um amigo que se prontificara a tal, a cobro de alguns legumes que ali produzia, já que a família estava muito ocupada com a sua vida.
  Chamava-se José, mas o povo conhecia-o por “Zé da Estaquinha”, alcunha que recebera na Fábrica da Pólvora e fazia aquele trabalho de hortelão, nas horas disponíveis, já que a sua mulher, a “Deolinda da Loura”, trabalhava na casa do capitão a dias, como doméstica.
     Foi precisamente nos anos quarenta que o capitão ocupou aquela propriedade, que confrontava com a casa do Duarte Silva, onde tinha sido criada a famosa mercearia do “Lagarto”.
  A Quinta em Tercena deixada pelo escultor, e onde passara a viver a família Silveira, uns anos mais tarde, depois da morte do militar, foi transmitida à filha do capitão, D. Helena Silveira Carrega, mãe do falecido João Luís Carrega e de Fernando Manuel Carrega, que viveram nela ainda alguns anos mais.
    Os netos do velho capitão cresceram, resolveram suas vidas e como a D. Helena ficara viúva, esta fora viver para uma propriedade no Cacém e a casa acabaria por ser ocupada por uma outra família, mas pouco anos depois ficara totalmente abandonada.
    Viviam-se o ano eufórico do “25 de Abril”, e logo os comunistas de Tercena, acharam que aquele edifício abandonado era ideal para a adaptação de uma creche para as crianças da terra e nesse sentido, começaram a agrupar vários materiais de construção, ofertas de amigos e simpatizantes do partido para se recuperar o edifício, mas esse movimento acabara por abortar, os materiais entretanto conseguidos desapareceram num ápice e o edifício manteve-se durante alguns anos completamente abandonado, degradando-se a ponto dos seus proprietários o terem mandado demolir, para não ser alvo de mais ilegalidades e ocupações selvagens.
   Hoje resta apenas o velho muro fronteiriço com a rua e o seu interior foi transformado numa grande horta, que é trabalhada por diversas pessoas que dali vão retirando os seus produtos hortícolas até que os seus verdadeiros e legítimos proprietários tomem decisões sobre o futuro daquele importante espaço mesmo no centro da população, que de ano para ano vai crescendo e obviamente valorizando-se bastante.
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