quinta-feira, 29 de dezembro de 2011

A sepultura deste padre foi ignorada durante muitos anos no cemitério

PADRE FRANCISCO D’ASSIS DUARTE
FOI PÁROCO DE BARCARENA NO SÉCULO XIX

     No cemitério de Barcarena, existe uma sepultura com o nº 1 que guarda há imensos anos os restos mortais de um antigo padre que foi pároco da freguesia durante trinta e seis anos.
   Trata-se da sepultura de Francisco D’Assis Duarte, que nasceu a 4 de Outubro de 1833 e falecido em 19 de Setembro de 1909,embora na sepultura indique a 20 daquele mês e curiosamente o seu registo de óbito, afirme que a “sepultura era de chumbo e não foi cobrada a importância ao coval por ter sido cedido o respectivo terreno da sepultura, medindo 2,71 mt., pela Exma. Câmara do Concelho de Oeiras, permitindo ainda que se lhe faça qualquer vedação, o que tudo consta no offício da mesma Exma. Câmara nº 342 de 30 do corrente mez e anno”, registo assinado no ano de 1990 pelo guarda, Cypriano Sérgio Augusto.
     O mesmo documento, revela que o reverendo padre de Barcarena, “era filho legítimo de Anastácio Duarte e de Maria Rosa Duarte”.
  Ao longo dos 77 anos que viveu, dedicou mais de três décadas ao serviço da Paróquia de Barcarena, mais propriamente trinta e seis anos, e a sua acção social, cultural e eclesiástica terá sido de tal forma importante que o povo reuniu-se e conseguiu angariar os fundos necessários para mandar construir a sua sepultura que ainda hoje perdura, decorrido mais de um século sobre a sua morte, colocando nela, “Aqui jaz o Rev. Francisco d’Assis  Duarte nasceu a 4 de Outubro de 1833 e falleeceu a 20 de Setembro de 1909 parochiou esta freguezia de S. Pedro de Barcarena durante 36 anos. Gratidão dos habitantes da freguezia”
   É precisamente esta pessoa, dedicada e amante do associativismo, que terá sido um dos grandes carolas da fundação da Associação de Bombeiros Voluntários de Barcarena, pois fala-se muito pouco e quase sempre por relatos de transmissão das sucessivas gerações, que terá havido um padre em Barcarena que, com as suas influências e suas iniciativas fizera parte de várias comissões que viriam resultar na fundação daquela importante associação social e humanitária.
   Sabe-se no entanto que os Bombeiros nasceram do seu “Sol & Dó”, conjunto musical da época e só depois de se ter registado um violento incêndio num espaço onde se guardavam os instrumentos desse mesmo grupo musical, se reconheceu a necessidade urgente de se criar um grupo de bombeiros que acudisse a tragédias como aquela, verificada a ineficácia das pessoas naquele momento do desastre.
 Assim nasceu um grupo de homens e mulheres que a tal obra se dedicara onde, devido a antigas informações, terá aparecido o padre, que era pároco e dava pelo nome de Francisco D’Assis Duarte.
   A ser realidade todas estas nossas recolhas e conhecimentos, seria de todo o interesse criar-se uma rua na freguesia de Barcarena, com o nome deste homem, que, não tem sido por acaso que a sua sepultura se tem conservado no cemitério à mais de um século, mas que na realidade até aos dias de hoje jamais se ouviu um comentário, uma história, uma versão sobre a vida deste padre, que, apenas sabemos ter sido muito importante em Barcarena durante o tempo em que exerceu o seu cargo de pároco, e parente do antigo comandante dos Bombeiros de Barcarena Sérgio Duarte, uma vez que após a sua morte o povo quis preservar os seus restos mortais, como comprova a inscrição que se pode ler na sepultura já gasta pelo peso dos anos passados.
      “A sepultura encontrava-se muito degradada e era formada por um berço em ferro, já muito ferrugento, como se usava antigamente, contudo a Junta de Freguesia de Barcarena, compadeceu-se daquele valor histórico e mandou limpar o local”, confessou Vítor Alves presidente da Junta de Freguesia de Barcarena que mandou fazer o trabalho em 2005 descobrindo então a pedra sepulcral”.
   “Mandamos limpar tudo e a pedra acabou por ficar, destruindo-se o velho berço que existia desde o dia do funeral, e isto por considerarmos um valor histórico da freguesia”.
     “Por se considerar importante a descoberta, cuidamos dela e assim se tem mantido ao longo dos anos, gratuitamente”, informou-nos o presidente da autarquia, confessando ser apenas o que sabia sobre o padre Francisco D’ Assis Duarte.
    Foi baseado nestas remotas e importantes informações e pela realidade que constatamos no cemitério, que nos levou ao conhecimento de que afinal o padre Francisco D’ Assis Duarte era familiar do avô de Sérgio Duarte, primo afastado de seu pai e como tal nos transmitiu alguns conhecimentos que julga saber desse seu parente.
   “Sobre ele, “ – começou por nos dizer Sérgio Duarte, “sei apenas que a minha mãe tinha lá em casa uma imagem dele”.
      “Era um busto muito grande, pintado a carvão, mas francamente já nem sei por onde isso anda”.
     Quisemos saber se a sepultura no cemitério estava a ser paga pela família, mas Sérgio Duarte foi peremptório em afirmar que nunca tal acontecera.
  “Aquilo ou é suportado pela igreja ou então pela Junta de Freguesia de Barcarena, pois não me lembro de alguém da minha família pagar fosse o que fosse pela sepultura”.
    Depois de termos falado com o presidente da Junta de Freguesia viemos a saber que a sepultura tem estado ali sem ninguém nada pagar, mantida graciosamente pela autarquia.
   E fazendo um ligeiro esforço cerebral, por se recordar de histórias contadas pela sua mãe sobre esse parente afastado, contou-nos que era um homem muito amigo da Igreja de S. Pedro.
    “Dizia ela que ele ia comprar os santos aos Jerónimos, ou não sei onde, com dinheiros dele para os colocar ali na igreja” e depois recordou ainda como a mãe descrevia a fisionomia do seu parente.
    “Quando ele ia dar missa à igreja de Leceia, deslocava-se sempre montado num burro”.
    E curiosamente, contou-nos que o seu parente era um homem muito alto, tão alto, que montado no seu burro, batia com os pés no chão.
     “Tão alto, que ele com os pés no chão, ajudava o burro a subir a grande subida que nos conduz de Barcarena a Leceia”.
  E repetindo, terminou, “ele era tão grande, tão alto que punha os pés no chão e ajudava o burro a andar, com ele montado”.
   “Era de facto uma pessoa muito entroncada, embora o busto dele que a minha mãe possuía, fosse um trabalho manual, mas dava para lhe descobrirmos essas características físicas”.
   Também um idoso de Barcarena conhecido de toda a gente pelo Venda Seca e durante muitos anos ligado aos bombeiros, nos falou vagamente desse padre.
    “Eu lembro-me de em tempos se falar no Padre Francisco, mas eu ainda nem sequer era vivo quando ele faleceu”.
     “Se houver qualquer coisa escrito só se pode encontrar no historial dos Bombeiros”, acrescentou o Venda Seca que culminou sugerindo.
    “O Artur Cágado, pai da Lídia, que foi enfermeira aqui nos bombeiros, escreveu a história da Associação, pode ser que se encontre alguma coisa relacionada com o assunto”..
   Assim, com estas preciosas informações, mais nos convencemos de que na realidade, Francisco D’ Assis Duarte, primo afastado de Sérgio Duarte, era mesmo o padre que se consta ter sido um dos fundadores da Associação dos Bombeiros Voluntários de Barcarena, mas nestas nossas recolhas aguardamos por mais informações que completem a biografia deste padre que, merece hoje ser mais lembrado, pela boa acção que desenvolveu na sede da autarquia na segunda metade do século XIX da freguesia de Barcarena ao serviço, não só dos cristãos como do povo de Barcarena.
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1 comentário:

  1. A família do Padre Assis Duarte cedeu o terreno para a construção da parte antiga do cemitério. A campa do casal que fez a doação ficou isenta do pagamento da anuidade relativa à sua campa, a título perpétuo. Será que o mesmo se aplica à campa do padre?
    O padre Francisco era irmão do meu trisavô, Manuel Anastácio Duarte, nascido em 1839.

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